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*´¨)Mais uma semana se inicia... mais uma que o nosso bom Deus nos
*´¨)permita que partilhamos com lindo momentos e sorrisos.
*´¨)As coisas simples são as mais verdadeiras...
*´¨)Aproveite todos os seus momentos e tenha uma maravilhosa
*´¨) semana... que Deus esteja sempre , te protegendo.
*´¨)Milhões de Beijinhosssssss da ADI
*´¨)Uma linda tarde para você minha querida...
*´¨) Felicidades sem fim!
.(`'•.¸(`'•.¸ ¸.•'´) ¸.•'´)¸.•'´)
«`'•.¸.¤... ¤.¸.•'´»(¸.•` * (¸.•` *
(¸.•'´(¸.•'´ `'•.¸)`' •.¸)
para voce
16 分钟以前
bouhadjar发表:
je te souhaite une bonne fin de journée,
pour une très bonne soirée
avec des gros bisous
 
 
 
56 分钟以前
 
 
 
 

Não sei ...
se a vida é curta ou longa
mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que acaricia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não
seja nem curta, nem longa demais,
mas que seja intensa, verdadeira,
e pura ... enquanto durar ...

 

Boa Semana - Recados e Imagens (5372)
1 小时以前
 
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Flower
 
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Beautiful
 
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2 小时以前
 
 
 
 
 
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Miłego wieczoru,
uśmiechu na twarzy,
Niech gwiazdka spokoju
Cię szczęściem obdarzy.
Zapach różany
niech rozsieje noc,
Błogości smak
niech nada mu moc.
Choć droga daleka
i wiatr w słowach gra,
Moc wieczornych pozdrowień
przesyła HENRYK
 
 
2 小时以前
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O_Som_do_Silêncio 
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Não chore, garota, por causa da guerra. Ela é boa.



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Não chore, garota, por causa da guerra. Ela é boa. Porque seu namorado ergueu o braço para o céu e o assustado corcel desgarrou-se sozinho, não chore. A guerra é boa. Roucos tambores retumbantes do regimento, pequenas almas com sede de luta. Estes homens nasceram para treinar e morrer. Inexplicável glória paira sobre eles. Grande é a batalha de Deus, grande é seu reino, onde jazem cadáveres aos milhares. Não chore, criança, pela guerra. Ela é boa. Porque seu pai tombou nas pálidas trincheiras, roto em seu peito, golpeado e morto, não chore. A guerra é boa. Ágil bandeira flamejante do regimento, águia com penacho vermelho e dourado. Estes homens nasceram para treinar e morrer. Mostre-lhes a virtude do massacre, faça-lhes planejar a excelência do matar, e o campo onde jazem cadáveres aos milhares. Mãe cujo coração se pendura humilde como um botão sobre o brilho esplêndido da mortalha do filho, não chore. A guerra é boa.



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LUCIANA GOYAZ

Terrorismo e anistia.

Em muitos países, quando se trata de anistiar crimes políticos, surge a discussão para saber se a medida deve ser concedida também aos condenados por atos de terrorismo. As opiniões se dividem: há os que desejam uma anistia ampla e irrestrita e os que excluem totalmente os terroristas.

Os primeiros alegam: que muitas vezes o terrorismo foi a única forma de luta ou de protesto contra o procedimento altamente violento e arbitrário do governo; que foi o governo quem iniciou a violência; que foi o governo quem torturou prisioneiros políticos que nem sempre usaram de terrorismo; que não houve imparcialidade nos julgamentos; que não se permitiu aos condenados uma ampla prova de defesa; que os tribunais não passaram de máquinas de condenação a serviço do governo; que só uma anistia ampla é que permite eliminar os ódios, os ressentimentos e promover uma conciliação nacional.

Os segundos dizem: anistiar os terroristas é escarnecer de suas vítimas; que nada justifica o homicídio de pessoas inocentes atingidas pelos atos terroristas; que é render homenagem aos autores de crimes comuns, pois que os atos terroristas não passam de crimes comuns sob o disfarce de um motivo político; que é estabelecer um privilégio a favor da violência; que é um mau exemplo para o futuro e um estímulo ao criminoso comum; que é favorecer a repetição dos mesmos atos.

O terrorismo tem sido também uma forma de luta pela libertação nacional em muitas partes do mundo, principalmente nos países coloniais, e é claro que, quando vitorioso, institui tribunais para julgar os que se lhe opunham, transformando-se os seus agentes em verdadeiros heróis da independência nacional. Politicamente não se justifica o terrorismo nem mesmo contra um torturador, porque quem tortura é o sistema e não este ou aquele funcionário da morte, que, embora pessoalmente responsável por executar ordens que sabe ilegais, nem por isso deixa de ser um pau mandado pelos superiores ou conta com a omissão destes.

Os grandes líderes revolucionários não fazem vinganças pessoais contra quem os torturou, colocando os interesses da causa que defendem acima dos sofrimentos pessoais, coisa que a massa não entende, considerando esta atitude de uma frieza sobre-humana, o que se deve à falta de maior esclarecimento político. É claro que do ponto de vista humano dificilmente poder-se-ia condenar um indivíduo comum que se vinga de um torturador, mas este é um caso muito raro, pois os criminosos políticos em geral sabem da inutilidade das vinganças pessoais, deixando que o torturador seja julgado objetivamente pelo processo revolucionário.

Não se podem também confundir com atos terroristas os que foram cometidos em situação de fuga, através dos quais o que se pretendia era escapar à prisão e não propriamente comprometer a segurança do regime.

É uma árdua tarefa decidir-se contra ou a favor da anistia ao terrorista e somente os altos interesses políticos de uma nação em situação concreta é que podem aconselhar a medida e a sua forma de adoção, mormente considerando-se que, em revisão do processo, muitos atos antes classificados como de natureza terrorista, podem perder este caráter.

 

Falando sobre PABLO NERUDA - "O CARTEIRO E O POETA" (METÁFORAS)

 

Citação

PABLO NERUDA - "O CARTEIRO E O POETA" (METÁFORAS)
 
 


       


O CARTEIRO E O POETA

 

“Seu sorriso se espalha como uma borboleta no seu rosto".

 

"O seu sorriso é como uma rosa, uma lança descoberta, o bater das águas, seu sorriso é uma onda prateada repentina".

 

"Gosto quando fica em silêncio porque parece que está ausente.”

 

A carta dizia o seguinte:

“Amor,

Amar é tão curto esquecer é tão longo.

Nua você é simples como uma de suas mãos.

Suave, terrena, pequena, transparente, redonda.

Você tem linhas lunares caminhos de macieiras.

Nua você é delicada como um grão de trigo.

Nua você é azul como uma noite cubana.

Você tem videiras e estrelas no cabelo

Nua você é rasa e dourada como o verão numa igreja.

Hoje deitei ao lado de uma jovem pura.

Como se estivesse a orla de um grande oceano.

Como se no centro de uma estrela em fogo no espaço.

Gosto quando você fica parada é como se estivesse ausente.

Você me ouve de longe. Minha voz não toca em você.

Parece que seus olhos alçaram vôo.

Parece que um beijo selou seus lábios”.




Um texto de Jean-Paul Sartre. Fez seus estudos secundários em Paris, no Lycée Henri IV.


Separados pela língua, pela política e pela história de seus colonizadores, tem em comum uma memória coletiva. Eles aprenderam que do utensílio o branco sabe tudo. Mas o utensílio apenas arranha a superfície das coisas, desconhece a duração, ignora a vida. Já a negritude, ao invés, é uma compreensão por simpatia. O segredo do negro é que as fontes de sua existência e as raízes de ser são idênticas. O negro sabe que plantar é engravidar a terra. Depois cumpre ficar imóvel, espiar, por que ele, homem, cresce ao mesmo tempo que seus cereais. Se labor em África, é a repetição de ano em ano do coito sagrado. As técnicas contaminaram o homem branco, mas é o negro o grande macho da terra, o esperma do mundo.


Sobre o(a) autor(a):Iniciou na literatura clássica desde cedo. Fez seus estudos secundários em Paris, no Lycée Henri IV. Despertou seu interesse pela Filosofia, influenciado pela obra de Henry Bergson. Considerado por muitos o símbolo do intelectual engajado.

 


As sete idades do homem. Willian Shakespeare - nasceu em 1564, na cidade de Stratford-upon-Avon, Londres



O mundo é um palco; os homens e as mulheres, meros artistas, que entram nele e saem. Muitos papéis cada um tem no seu tempo; sete atos, sete idades. Na primeira, o grito e a baba nos braços da mãe. Depois, o rosto matinal de serpente que se arrasta para escola a contragosto. O amante vem depois, fornalha acesa, celebrando as sobrancelhas da mulher desejada. Em seguida, o soldado, cheio de juras feita sem propósito, a buscar a glória vã na boca dos canhões. Segue-se o juiz, de olhar severo e estômago cheio, impondo as sentenças e as certezas que seu papel exige. Na sexta idade o mundo é amplo demais para as pernas mirradas e o falsete da voz infantil que voltou. A última cena, remate desta trágica história, é o esquecimento, a vista falha, os dentes, o gosto, tudo, nada.


Sobre o(a) autor(a):

Um dos maiores poetas de todos os tempos, nasceu em 1564, na cidade de Stratford-upon-Avon, Londres.

 

 

Brasil. Falando sobre BOSSA NOVA AND JAZZ - NO PIANO.

BOSSA NOVA AND JAZZ - NO PIANO.

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Em princípio vale relembrar que, a história da Bossa Nova é a história de uma geração. Uma geração de jovens artistas brasileiros que acreditaram no futuro e conseguiram realizar o sonho de levar sua música aos quatro cantos do mundo. As primeiras manifestaçôes do que viria a ser conhecido como Bossa Nova ocorreram na década de 50, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ali, compositores, instrumentistas e cantores intelectualizados, amantes do jazz americano e da música erudita, tiveram participação efetiva no surgimento do gênero, que conseguiu unir a alegria do ritmo brasileiro às sofisticadas harmonias do jazz americano. Ao se falar de Bossa Nova não se pode deixar de citar Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, Candinho, João Gilberto, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Nara Leão, Ronaldo Bôscoli, Baden Powell, Luizinho Eça, os irmãos Castro Neves, Newton Mendonça, Chico Feitosa, Lula Freire, Durval Ferreira, Sylvia Teiles, Normando Santos, Luís Carlos Vinhas e muitos outros.Todos eles jovens músicos, compositores e intérpretes que, cansados do estilo operístico que dominava a música brasileira até então, buscavam algo realmente novo, que traduzisse seu estilo de vida e que combinasse mais com o seu apurado gosto musical. Impossível precisar quando a Bossa Nova realmente começou. Mas é certo que o lançamento, em 1958, dos discos Cançâo do Amor Demais, com Elizeth Cardoso interpretando composições de Tom e Vinicius, e Chega de Saudade - 78 rpm, com o clássico de Tom e Vinicius de um lado e Bim-bom, de João Gilberto, do outro -, nos quais João surpreendeu a todos com a nova batida de violão, foi o resultado de vários anos de experiências musicais. Experiências empreendidas não só por João mas por toda a turma que se encontrava nas famosas reuniões na casa de Nara Leão. Após o lançamento, em 1959, do primeiro LP de João Gilberto, também chamado Chega de Saudade, a Bossa Nova rapidamente se transformou em mania nacional e em poucos anos conquistou o mundo. Mas bem antes disso o Rio de Janeiro já vivia um raro momento de florescimento artístico, como poucas vezes se viu na história da cultura nacional. Não é à toa que os anos 50 são conhecidos como os "anos dourados". O Brasil vivia então um período de crescimento econômico que acabou se refletindo em todas as áreas. Em 1956, Juscelino Kubitschek tomou posse na Presidência da República com o slogan desenvolvimentista "50 anos em 5" No mesmo ano, foram lançados os romances 0 Encontro Marcado, do mineiro Fernando Sabino, e Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, dois importantes marcos na história da literatura brasileira. Paralelamente, surgia na poesia um movimento inspirado no concretismo pictórico, cuja maior característica foi a valorização gráfica da palavra e do qual participaram nomes como os irmãos Augusto e Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Ferreira Gulíar, entre outros. Em 1957, estreava o filme Rio Zona Norte, de Nelson Pereira dos Santos, um dos primeiros representantes do que viria a ser chamado Cinema Novo. Em 1958, a Seleção Brasileira de Futebol conquistava sua primeira Copa do Mundo, derrotando a seleção sueca por 5 a 2 e levando o povo brasileiro a cantar alegremente "A copa do mundo é nossa | Com brasileiro não há quem possa". Também em 1958, Jorge Amado lançava Gabriela Cravo e Canela e Gianfrancesco Guarnieri estreava no Teatro de Arena de São Paulo Eles Não Usam Blacktie, um marco na linguagem do teatro brasileiro. Em 1959, era lançado o movimento neoconcreto nas artes plásticas, do qual fizeram parte Lygia Clark, Hélio Oiticica e Lígia Pape, entre outros. Em 1960, Juscelino Kubitschek inaugurava a nova capital do país, Brasília, que possivelmente teve a primeira música de Bossa Nova em sua homenagem, composta por Chico Feitosa. Billy Branco havia feito um sambinha jocoso, Não Vou, Não Vou Pra Brasília, e Chico musicou uma letra que falava da vida na nova cidade. O tema, chamado Paranoá, nunca foi gravado, mas encontra-se preservado numa gravação particular feita na época, com o próprio Chico Fim de Noite cantando. Foi neste contexto que surgiu o movimento que viria a revolucionar não só a música brasileira mas toda a produção musical internacional. Ainda nos anos 40, a grande novidade musical foi o lançamento, em 1946, de Copacabana um samba-canção de João de Barro e Alberto Ribeiro, gravado pelo cantor Dick Farney com claras influências da música americana. A composição foi a precursora do que se chamou samba moderno, cujos grandes intérpretes foram o próprio Dick Farney e Lúcio Alves. A suposta rivalidade destes dois grandes cantores era alimentada pela imprensa e por seus fã-clubes. No início dos anos 50, eram eles, com suas vozes aveludadas, os maiores ídolos da juventude brasileira. Ao lado de Ary Barroso, Johnny Alf, Garoto, Dolores Duran, Luiz Bonfá e Tito Madi, entre outros, influenciaram decisivamente a formação da geração que se consagraria através da Bossa Nova.





E se nada acontecer?


Antonio Pinto de Medeiros

E se nada acontecer?
Se os rostos deformados e os sentidos mendigos, os olhos famintos e as mãos que interrogam, a carne que sangra e afoga os desejos;
se tudo isso se transformar em cinza e ausência e a dúvida acenar ainda?
E se o silêncio pesar sobre o grito de angústia, se a esfinge recolher seu sorriso transfigurado, se todos os sonhos forem abortados... e se nada acontecer? E se tudo isso não tiver a menor importância?


Sobre o(a) autor(a):
Poeta, jornalista nascido em Manaus. Foi membro da Academia Norte-riograndense de letras. Militou na imprensa do Rio de Janeiro, onde faleceu em 1970.

 


Desejar o Desejo (Marcia Tiburi) - Texto enviado por Marina Kruel - Windows Live Space (Grata amiga) 1 imagem enviada por um amigo (Grata)


Desejar o Desejo

Marcia Tiburi


Costumamos querer sem saber o que queremos, costumamos falar de desejo sem saber o que ele significa. Fala-se tanto em desejo que ficamos confusos com seu sentido. Arthur Schopenhauer, no século XIX, pensava que o desejo era o motor do sofrimento. Desejar resultava em ser infeliz. O filósofo tinha certa razão, pois o desejo não vem com o equilíbrio como brinde. E a pergunta, a princípio ingênua, “o desejo é afinal bom ou ruim?” não nos abandona. Apesar da relação entre desejo e excesso, à sensação de aventura impressionante que uma possível “descoberta” do desejo nos convida, nos tornamos temerosos do desejo. Todavia, permanecemos desejando. Se não estamos às voltas à procura de nosso desejo por conta própria, sempre há quem esteja por perto dizendo que temos que encontra-lo e que isto será uma revolução pessoal. Há quem fale da diferença entre querer e desejar, uns afirmando que o querer é racional e consciente e o desejo é irracional e inconsciente. É uma boa distinção. De qualquer modo, mesmo confusos, sabemos que o desejo sempre nos põe diante de um abismo que apenas com paciência e atenção somos capazes de atravessar em nosso dia a dia. Este abismo é o outro. É visando-o que descobrimos o que ele realmente é. Estamos orientados a sempre desejar alguma coisa em relação ao outro, seja ele algo, uma pessoa, a sociedade ou o futuro. Quando desejamos o desejo, a vida vai bem. Nos movemos atentos à beleza, à tragédia, ao sublime da existência e tudo pode ser interessante e motivo de alegria. Baruch Spinoza, no século XVII, falava do desejo como uma espécie de impulso para a vida. A sua melhor qualidade era a produção da alegria como afeto saudável que nos fazia encontrar o outro como dádiva, luz, maravilha.
Para além da felicidade que advém do mero desejar o desejo, desejamos algo diferente dele. Às vezes desejamos as coisas e, como não conquistamos tudo o que queremos, sofremos. Quando desejamos pessoas podemos sofrer mais ainda, já que ao desejar outra pessoa que deseja como nós, nos deparamos com o obstáculo do seu próprio desejo que pode ser avesso ao nosso e nos rejeitar.
Muitas vezes, mesmo desejando alguém e tendo a sorte de uma amizade ou um amor correspondido pomos tudo a perder. Se não desejamos o que o outro é, acabamos por nossa própria conta que ele deveria ser. Mas quem teria este direito de desejar por nós?
Como alguém deveria ser Não se trata apenas de desejar algo que o outro “deveria” nos dar e chorar porque não fomos contemplados, ou assumir com dignidade a frustração, mas de desejar o modo como alguém “deveria ser”. É como se o outro não fosse o que é, devendo sempre ser diferente para agradar o gosto do seu crítico de plantão. Tornamo-nos críticos exímios socialmente na arte de falar mal, de apontar defeitos, de querer, afinal, que o outro seja como queremos que ele seja. Nunca o que ele é. E se nos casamos com este outro, ou nos tornamos pais, ou precisamos conviver no trabalho? Em casa, no trabalho, na escola, na empresa, esta postura carrega um gesto de desamor que, em graus variados, pode chegar ao ódio e à intolerância que são o extremo da falta de capacidade de dialogar ou de, simplesmente, deixar que o outro seja o que ele é, a seu modo. Mas e como “eu” deveria ser? Será que esta pergunta teria consistência? Muitas vezes exigimos das pessoas atitudes e comportamentos que nós mesmos não temos, mas que supomos nossa característica mais essencial. Perguntados, entretanto, nem sempre podemos afirmar com precisão onde, como e quando tais características se manifestam em nós. Qual será a função desta exigência? Se critico o outro por sua preguiça é por que, ao contrário, eu sou trabalhador e esforçado? Se o critico por ignorância, eu sou sábio? Se o critico em sua antipatia, sou eu o simpático? Se o critico por falta de ética, eu sou ético? Falando do outro eu sempre me convenço de que sou melhor do que ele ou, antes, por me considerar perfeito já afirmo minha competência na crítica. Mas, sobretudo, acoberto a chance de que eu esteja na berlinda, sendo o alvo.

Nossos comportamentos geram valores. Não são apenas o fruto de valores preexistentes, mas nós mesmos construímos as bases a partir das quais agimos em nosso futuro e interferimos, sobretudo, no modo de ser de outras pessoas. Este modo de ser leva à decisões e ações mais ou menos livres que moldam a totalidade da vida.
A liberdade do outro é o começo da minha Nossa sociedade costuma demonstrar seus valores cultuando-os. Este culto mostra duas coisas: que temos uma imensa capacidade de amar símbolos, pessoas ou coisas, e que, justamente por isso, também somos capazes de muita ilusão. Quando desejamos ilusões não atingimos a profundidade do nosso desejo. Não devemos apenas pensar nas falsas necessidades que fazem operar nosso desejo, as inventadas pela sociedade em seu modo de produção atual. Devemos pensar nos valores que impomos a quem não é como nós somos e que compõem nosso desejo. A atenção crítica a si mesmo e ao outro precisa de óculos cuja lente seja a liberdade de ser que é direito de cada um. A liberdade do outro é onde inicia a minha. A nossa dor e a dor dos outros.

Marcia Tiburi


Vivemos na atualidade o culto ao sofrimento. Tanto o que resulta de motivos concretos como o desamparo e a violência, quanto

o que advém da experiência da angústia em relação à própria vida, uma espécie de convivência com o nada cada vez mais facilitada pela forma de vida em que nenhuma esfera nos dá garantia de sentido. Aprendemos, em nossa cultura, a viver com o sofrimento ao ponto de dar sentido a ele ou até mesmo gozar por meio dele. É um modo de se sobreviver ao nonsense. Muitos são felizes porque são infelizes. Eis um paradoxo nada difícil de compreender em nosso tempo. A dor parece ser mais do que sintoma corpóreo, ela parece residir na alma, a instância abstrata que agrega sentimentos sempre de certo modo inacessíveis à nossa capacidade de compreender. No corpo ela aparece como incômodo e mal-estar. No nível do sentimento ela é o nome próprio do horror de ser quem se é, de não poder ser outra pessoa. Até parece ser a dor o que nos resgata do absurdo da vida e nos responde sobre quem somos.
Experimentada como algo íntimo, cada indivíduo em nossa cultura negligencia o que a dor possa significar para o outro. Imaginamos, pela força que a caracteriza como experiência pessoal, que ela é apenas nossa e não do outro. “Eu tenho a minha dor” diz a música enquanto o outro parece não ter nenhuma. É porque sentimos dor que cremos em nossa unidade. A dor, já foi o nome do “eu” no romantismo, corrente de pensamento e estilo de vida que desde o século XIX e pelo século XX afora criou seitas e adeptos nas artes, na literatura, mas também na vida. Novamente a dor retorna em amálgama com o eu à cultura definindo o eixo da depressão que, se para muitos é patologia e medicável, não podemos esquecer que é, acima de tudo, desajuste existencial. A este desacordo entre o “eu” e o mundo, a esta “dor de viver” marcadamente romântica, Schopenhauer, o filósofo que melhor entendeu o sofrimento como um aspecto inalienável da vida, erigiu sua visão de mundo. Um resumo de suas idéias define que “sofro porque desejo”, mas sofrer e desejar são dois reflexos da condição própria da vida.

Dor de viver

Entre nós a metáfora da dor de viver se faz corpo. Eu que sou um corpo que vive e experimenta a vida, já não sou mais “um eu” que pensa ou sente, mas alguém que sofre. Eis o que sobra do sujeito moderno e do pós-moderno, que se estilhaçou, se perdeu de vista e, a cada dia com mais veemência emite o conhecido juízo acerca de seu lugar no mundo: estou deprimido. Poderia traduzir sua frase pelo “não desejo nada”. Neste caso, não estaria a dizer que “desejo não desejar”, mas que cessou o desejo. O paradoxo que surge é que não desejar nada parece ser a solução para o sofrimento que vem do desejo, quem não desejasse estaria a salvo. Mas não desejar nada é que se mostra como sendo, na verdade, o sofrimento maior. Quem deprime sabe disso. Mas de onde tirar forças para reconstruir o desejo?

A vontade sem sentido que nos liga à vida e nos faz dar sentido à vida? Muitas vezes a dor de viver apenas mascara a culpa que pomos no outro ao qual queremos responsabilizar por nosso próprio fracasso diante do mistério da vida. Por isso, a depressão é, muitas vezes, a máscara de um rosto chamado covardia. O Espetáculo da dor Há um verdadeiro contentamento com a dor em nossa cultura. Tal gosto pelo sofrimento é, todavia, escandalização da dor e, paradoxalmente, sua banalização. De tanto ser vivida se tornou banal. A dor é um elemento de uma democracia perversa, parece ser só o que realmente nos esmeramos por compartilhar. As imagens da morte de indivíduos ou grupos, das catástrofes históricas ou da violência em escala cotidiana alegram os olhos de quem aprendeu a viver no mundo do espetáculo, o grande território que na sociedade atual, mede a vida, os corpos, os desejos, com imagens prévias do que devemos ser. O que chamamos espetáculo é ele mesmo um olho que nos vê e forja o nosso próprio modo de olhar. Que futuro há para uma cultura que vive o voyerismo da catástrofe, que goza com o sofrimento alheio pensando estar a salvo dele? Há solidariedade que possa nos salvar diante do apelo à morte do outro, ao ódio escancarado, a que nos convidam todos os dias as formas de vida – descaso e violência - que vivemos?

A compaixão

O que há de comum entre a nossa dor e a dor dos outros? O que poderia romper o ciclo perverso de gozo e satisfação com o espetáculo da dor pessoal – na depressão - e alheia – na catástrofe assistida? Schopenhauer falou no século XIX sobre a compaixão para basear a ética. Seus críticos logo acordaram dizendo que a justiça e não a compaixão seria um melhor fundamento da ética. A justiça entendida como medida, como regramento, como o que sustenta a lei é realmente algo que pode manter a sociedade em ordem, mas a idéia da compaixão guarda um aspecto que não deve ser esquecido. A compaixão é a capacidade de perceber o sofrimento alheio e saber que ele não é bom. O termo, do latim, compassio, significa mais do que sofrimento comum: é o sentir a dor do outro como se fosse a sua. Uma sociedade que aprendesse que todos estamos mergulhados no

 

sofrimento teria chance de verificar que previamente já há um elo que nos une e que nossa tarefa é ultrapassar sua força de destruição.

Saber e sofrer-Marcia Tiburi _  Dizer que o conhecimento faz sofrer tornou-se habitual. O sofrimento foi ligado à filosofia e à literatura a ponto de que não podemos imaginar um filósofo, ou alguém com cara de sábio em meio a livros, pulando carnaval ou curtindo uma piscina. Isso é um mito. Os filósofos e os escritores são ainda hoje constantemente vistos como pessoas que sofrem por conhecerem a alma humana em sua profundidade inacessível aos demais. Não quer dizer que conheçam a alma, nem que haja nela uma profundidade inacessível. Isto é apenas possível. É, sobretudo, uma crença compartilhada e, como tal, organiza nossa visão de muitas coisas. Nunca saberemos se os filósofos antigos eram todos sofredores, nem se conheciam a alma humana. Sabemos apenas que deixaram seu testemunho, no qual confiamos e com os quais devemos discutir hoje para entender o nosso tempo.

Muitos dos pensadores contribuíram com esta imagem tratando o sofrimento como seu objeto de estudos, como Schopenhauer no século XIX. Outros fizeram de seu próprio sofrimento o objeto de suas filosofias, como Pascal no século XVII. Todos tentaram entender a relação entre conhecimento e sofrimento. Dos antigos, Aristóteles, por exemplo, usou um termo de Hipócrates, a melancolia, para explicar a relação do saber com o sofrimento. Tanto para o filósofo, quanto para o médico, a melancolia era um temperamento que explicava, inclusive, a inclinação intelectual de uma pessoa. Além de elucidar o pêndulo entre a loucura e genialidade que caracterizava alguns indivíduos. Os mais interessantes, porém, são alguns dos padres filósofos da Idade Média que falavam de um certo “demônio do meio dia” que assolava os monges como um fantasma obsedante. Antes dos filósofos perderem a crença em entidades sobrenaturais devido ao longo processo de secularização que levou ao modo de se viver no ocidente sempre a crer em ciência e tecnologia, o dito demônio era considerado a causa da dispersão na leitura, da insatisfação no convívio dentro do mosteiro, do rancor, do torpor, da vontade de morrer, das fantasias de catástrofe, da preguiça, da indolência, e também da culpa por viver no mesmo lugar sem capacidade de agir e ajudar os outros, ao mesmo tempo que responsável por uma crítica geral a tudo a todos que o cercavam em sua experiência monacal. Era o misto de maldade com desespero, de amor com ódio, de autocrítica com crítica dos outros que caracterizava o quadro melancólico que tanto fazia com que o monge se sentisse um inútil, quanto fazia com que ele se tornasse um escritor, um artista envolvido em ilustrar os livros, um filósofo em busca das verdades próximas ou distantes. A doença é o que cura na verdade, muitos acreditavam que a doença não era ruim. Hugo de São Vítor, por exemplo, falava em uma tristitia utilis, uma tristeza útil. Ela era necessária para a evolução espiritual. Esta idéia pode parecer estranha, mas nos ensina algo para os nossos tempos sombrios. Os monges acreditavam que a doença a que chamavam melancolia carregava em si o seu contrário, uma forma de saúde. Ela era uma espécie de cura.

Neste aspecto não somos diferentes dos monges medievais, só perdemos a capacidade de olhar para o que chamamos sofrimento como se ele fosse apenas um modo de ser e o preço pago quando da descoberta da vida. Mas se o valorizássemos melhor (e não mais) talvez pudéssemos aprender que a condição humana sempre foi a mesma, que não somos diferentes e, portanto, a nossa dor não é diferente. Desde sempre, se nos pensamos como espécie, sofremos. Quem tenta saber mais ou melhor sofre de um novo jeito. Em vez de afundar no lodo da dor emocional, podemos descobrir o potencial de transformação do conhecimento. Que o sofrimento não é o resultado do conhecimento, mas seu ponto de partida... saber pode ser mais a cura e a libertação da dor do que a dor.

Conhecer para quê?
Que pensar nos faz sofrer pode até ser verdade. Tanto quanto pode ser verdade que pensar pode ser um prazer imenso. Quem se ocupa em conhecer a si mesmo e ao mundo sabe que fará a experiência de prazer e desprazer nesta viagem. Os gregos tinham a idéia do phármakon, remédio e veneno ao mesmo tempo, para explicar a dialética da vida. Ela se aplica ao conhecimento. Podemos sofrer com ele e, do mesmo modo, alegrarmo-nos. A melancolia antiga é ancestral direta da nossa depressão. O excesso de depressão nos dias de hoje não deixa de ter relação com a sociedade do conhecimento e da informação em que vivemos. Queremos resolver tudo pelo conhecimento, mas esquecemos de pensar que o conhecimento é uma saída que deve servir a algo mais do que o mero progresso da ciência. O conhecimento como potencial de saída da infelicidade, mesmo que tenha nascido dela. Se alguém busca conhecer a si é porque deve pretender com isso ser feliz. Ser feliz é mais ético e mais bonito do que apenas buscar a si mesmo como uma verdade absoluta. Sobre esta verdade de si ninguém tem garantia. A verdade não deve ser uma ilusão da resposta, mas a busca.



Robinsonada do romance do escritor inglês Daniel Defoe



Do romance do escritor inglês Daniel Defoe, A vida e as estranhas e surpreendentes aventuras de Robinson Crusoé, publicado em 1719/1720. Significa, conforme os autores, a construção de utopias, sociedades perfeitas, romancear os fatos econômicos, acreditar na eficiência de movimentos filantrópicos para resolver problemas sociais, a crença na existência do "homo oeconomicus", aceitar que o indivíduo sozinho pode romper todos os entraves sociais que impedem o seu progresso social ou fundar uma sociedade. O romance foi considerado como um símbolo da ascensão da burguesia. Tem um sentido pejorativo, pois refere-se sempre a um exagero da força dos elementos morais no mecanismo da economia.

 


A Moralidade do Tributo

O tributo é uma forma de sujeição do indivíduo à soberania de um estado. Daí a razão pela qual gregos e romanos consideravam o estado de liberdade incompatível com a obrigação de contribuir obrigatoriamente para as despesas ordinárias do Estado, encargo que jogavam sobre os povos vencidos ou conquistados. Nenhum destes dois povos tinha noção de direitos subjetivos que se opunham ao estado, reagindo pela fraude fiscal quando começaram a surgir os primeiros tributos regulares. O Cristianismo não discutiu a obrigação tributária, mandando dar a César o que é de César. Os pais da Igreja seguiram a mesma orientação, reprovando a fraude fiscal. Mas se o imposto é injusto? ou se o príncipe usa de violência para lançá-lo? Não deve ser pago pelo cidadão, diz São Tomás de Aquino, porque só a lei justa obriga em consciência. Outros casuístas medievais elaboraram a partir do século XIII a doutrina das leis meramente penais: as leis fiscais só obrigam em razão da pena e não moralmente.

O problema da moralidade do imposto continuou sendo discutido nos séculos XVI e XVII pelos teólogos, principalmente Molina, Suarez, Lessius, Lugo, concluindo quase todos eles, através das mais diferentes argumentações por considerar a dívida fiscal como uma dívida de justiça, desde que não haja arbitrariedade do príncipe. Lutero, Calvino, Grotius, Pufendorf, Hobbes, Kant. Rousseau. Bossuet, Bodin, defenderam o direito da autoridade civil na matéria. Locke e Montesquieu exigiam que o imposto fosse consentido pelos contribuintes. Para o liberalismo da segunda metade do século passado, o tributo um prêmio de seguro ou o preço dos serviços prestados pelo estado. Socialismos e fascismos exigem do individuo a manutenção da sociedade. Para os regimes burgueses é uma forma de redistribuição de riquezas e um meio de realizar reformas sócio-politicas ou justiça social. B. - Camille Scailteur, Le contribuable et l'état. Édition Universelle. Bruxelas, 1961.


 
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