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Martin Luther King, Jr., (January 15,
1929-April 4, 1968) was born Michael Luther King, Jr., but later had his name
changed to Martin. His grandfather began the family's long tenure as pastors
of the Ebenezer Baptist Church
in Atlanta,
serving from 1914 to 1931; his father has served from then until the present,
and from 1960 until his death Martin Luther acted as co-pastor. Martin Luther
attended segregated public schools in Georgia,
graduating from high school at the age of fifteen; he received the B. A.
degree in 1948 from Morehouse College, a distinguished Negro institution of Atlanta from which both
his father and grandfather had graduated. After three years of theological
study at Crozer Theological Seminary in Pennsylvania where he was elected
president of a predominantly white senior class, he was awarded the B.D. in
1951. With a fellowship won at Crozer, he enrolled in graduate studies at Boston University, completing his residence
for the doctorate in 1953 and receiving the degree in 1955. In Boston he met and
married Coretta Scott, a young woman of uncommon intellectual and artistic
attainments. Two sons and two daughters were born into the family.
In 1954, Martin Luther King became pastor of the Dexter
Avenue Baptist
Church in Montgomery, Alabama.
Always a strong worker for civil rights for members of his race, King was, by
this time, a member of the executive committee of the National Association
for the Advancement of Colored People, the leading organization of its kind
in the nation. He was ready, then, early in December, 1955, to accept the
leadership of the first great Negro nonviolent demonstration of contemporary
times in the United States,
the bus boycott described by Gunnar Jahn in his presentation speech in honor
of the laureate. The boycott lasted 382 days. On December 21, 1956, after the
Supreme Court of the United
States had declared unconstitutional the
laws requiring segregation on buses, Negroes and whites rode the buses as
equals. During these days of boycott, King was arrested, his home was bombed,
he was subjected to personal abuse, but at the same time he emerged as a
Negro leader of the first rank.
In 1957 he was elected president of the Southern Christian Leadership
Conference, an organization formed to provide new leadership for the now
burgeoning civil rights movement. The ideals for this organization he took
from Christianity; its operational techniques from Gandhi. In the eleven-year
period between 1957 and 1968, King traveled over six million miles and spoke
over twenty-five hundred times, appearing wherever there was injustice,
protest, and action; and meanwhile he wrote five books as well as numerous
articles. In these years, he led a massive protest in Birmingham, Alabama,
that caught the attention of the entire world, providing what he called a
coalition of conscience. and inspiring his "Letter from a Birmingham
Jail", a manifesto of the Negro revolution; he planned the drives in
Alabama for the registration of Negroes as voters; he directed the peaceful
march on Washington, D.C., of 250,000 people to whom he delivered his
address, "l Have a Dream", he conferred with President John F.
Kennedy and campaigned for President Lyndon B. Johnson; he was arrested
upwards of twenty times and assaulted at least four times; he was awarded
five honorary degrees; was named Man of the Year by Time magazine in
1963; and became not only the symbolic leader of American blacks but also a
world figure.
At the age of thirty-five, Martin Luther King, Jr., was the youngest man to
have received the Nobel Peace Prize. When notified of his selection, he
announced that he would turn over the prize money of $54,123 to the
furtherance of the civil rights movement.
On the evening of April 4, 1968, while standing on the balcony of his motel
room in Memphis, Tennessee, where he was to lead a protest
march in sympathy with striking garbage workers of that city, he was
assassinated.
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Citação Martin Luther King Jr. - "I have a dream ..."
1963 - Martin Luther King Jr. lidera uma Marcha até Washington "Eu tenho um sonho..." O homem que tinha esse sonho passaria toda a vida à busca dele, daria sua vida a favor dele. Seu nome era Martin Luther King Jr., e seu sonho era este: "... que um dia meus quatro filhos possam viver em uma nação onde não sejam julgados pela cor de sua pele, mas pelo seu caráter". Essas palavras abalariam os Estados Unidos. O jovem ministro nasceu em uma família de pastores batistas e foi educado na Morehouse College e no Seminário Teológico Crozer. Ele obteve seu doutorado na Universidade de Boston. Em 1954, tornou-se pastor da Igreja Batista da Avenida Dexter, na cidade de Montgomery, no Estado americano do Alabama. Um ano depois, uma mulher negra, Rosa Parks, deu um passo que mudaria a vida de Luther King. Embora os negros, de acordo com as exigências, só pudessem ocupar os assentos na parte de trás dos ônibus municipais, ela se sentou na frente, pois os de trás estavam ocupados. Ela ocupou o primeiro assento disponível na parte da frente. Rosa foi presa por quebrar a lei de segregação. Em apoio a essa mulher, Martin Luther King Jr. liderou um boicote ao sistema de ônibus de Montgomery. Afinal de contas, a maioria dos passageiros daquele sistema de transporte era formada de negros, que estavam sendo tratados de maneira injusta. Desse modo, os negros se recusariam a entrar nos ônibus enquanto durasse a discriminação. Eles achavam que "era mais honroso andar pelas ruas com dignidade do que andar de ônibus e serem humilhados". Esse boicote durou um ano, mas, por fim, os negros venceram essa luta e, com essa vitória, Martin Luther King Jr. foi lançado na luta pelos direitos civis nos eua. Influenciado pelo método de não-violência de Gandhi, Luther King e outras pessoas começaram a protestar. "Vamos igualar sua capacidade de infligir sofrimento [...] façam conosco o que vocês quiserem e continuaremos a amar vocês", respondeu Luther King aos seus opositores. Seguindo os passos de Jesus, ele anunciou: "Jesus proclamou na cruz, de maneira eloqüente, uma lei superior. Ele sabia que a antiga filosofia do olho por olho deixaria todo o mundo cego. Ele não combatia o mal com o mal. Ele combatia o mal com o bem. Embora crucificado pelo ódio, ele reagiu com um amor enérgico e ativo". Com a organização da Conferência Sulista de Liderança Cristã, liderada por Luther King, ele começou a fazer uma campanha nas cidades do sul: Jackson, Selma, Meridian e Birmingham. Entretanto, sua influência, à medida que liderava os ataques às injustiças sociais nas cidades do norte, estendeu-se além disso. Um círculo bem próximo composto de ministros protestantes negros, entre os quais estava Jesse Jackson, apoiava Luther King, mas, em pouco tempo, brancos, católicos e judeus se uniriam à sua causa. Seu método de não-violência foi recebido com cavalos, cassetetes, cães e espancamentos. Embora muitos cristãos o apoiassem, alguns dos principais oponentes de Luther King também professavam o nome de Cristo. Na primavera de 1963, Luther King foi preso por ter liderado uma marcha de protesto na cidade de Birmingham, no Alabama. Os pastores de Atlanta o criticaram por ter deixado sua igreja em Montgomery. "Que direito ele tinha de se envolver onde não fora chamado?", perguntavam eles. Em sua Carta de uma prisão em Birmingham, Luther King declarou que "a injustiça em qualquer lugar ameaça a justiça em todo lugar". Para os que não foram alcançados pelos "penetrantes dardos da segregação" e o aconselhavam a esperar, ele respondeu: "... quando você é acossado durante o dia e assombrado à noite simplesmente pelo fato de ser negro, e tem de andar constantemente pisando em ovos, sem nunca saber o que esperar, além de ser incomodado por temores interiores e ressentimentos exteriores; quando você tem sempre de lutar contra uma sensação perversa de não ser considerado gente — então você entenderá por que achamos difícil esperar". A Marcha até Washington, em 1963, se tornaria um dos acontecimentos mais importantes na história da luta pelos direitos civis, pois, por sua influência, acredita-se que foram aprovadas as leis do direito civil de 1964 e a lei de direito ao voto de 1965. Durante a marcha, Martin Luther King, Jr. expôs o seu sonho: "Eu tenho um sonho, que um dia meus quatro filhos possam viver em uma nação onde não sejam julgados pela cor de sua pele, mas pelo seu caráter [...] Com esta fé, seremos capazes de extrair da montanha do desespero a pedra da esperança. Com esta fé, seremos capazes de transformar as contendas desarmoniosas de nossa nação em uma maravilhosa sinfonia de irmandade. Com esta fé, seremos capazes de trabalhar juntos, de orar juntos [...] sabendo que um dia seremos livres". Em 1964, Luther King recebeu o prêmio Nobel da Paz, um reconhecimento parcial da validade desse sonho. Luther King, em 1968, foi para a cidade de Memphis, no Estado do Tennessee, em apoio a uma greve dos coletores de lixo. No dia 4 de abril, enquanto conversava com colegas no corredor externo do segundo andar do hotel, na Mulberry Street, em que estava hospedado, foi alvejado por um assassino. Embora a bala tenha lhe tirado a vida, não pôs fim àquele sonho. Em resposta à coragem e ao testemunho determinado desse ministro, o dia de Martin Luther King foi instituído nos eua, a terceira segunda-feira de janeiro. Ele é o único ministro religioso americano a ter um dia dedicado à sua honra.
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     | "O Justo" - Cecília Benevides de Carvalho Meireles,nasceu a 7 de novembro de 1901,na Tijuca,Rio de J
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| O Justo Cecília Meireles Toda vez que um justo grita,Um carrasco vem calar.Quem não presta fica vivo Quem é bom mandam matar. Foi trabalhar para todos E vejam o que lhe acontece: Daqueles a quem servia, Já nem um mais o conhece. Quando a desgraça é profunda,Que amigo se compadece? Foi trabalhar para todos,Mas por ele quem trabalha? Tombado fica seu corpo Nesta esquisita batalha. Suas ações e seu nome, Por onde a glória os espalha? Por aqui passava um homem (e como o povo se ria!)Que reformava este mundo De cima da montaria. Por aqui passava um homem (e como o povo se ria!)Ele na frente falava E atrás a sorte corria. Por aqui passava um homem (e como o povo se ria!)Liberdade, ainda que tarde,Nos prometia. Sobre o(a) autor(a): Cecília Benevides de Carvalho Meireles,nasceu a 7 de novembro de 1901,na Tijuca,Rio de Janeiro. Escreveu a primeira poesia aos 9 anos,estreou em 1919 com o livro de poemas Espectros,escrito aos 16 anos. Faleceu no Rio de Janeiro a 9 de novembro de 1964 |
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Não chore, garota, por causa da guerra. Ela é
boa. Porque seu namorado ergueu o braço para o céu e o assustado corcel
desgarrou-se sozinho, não chore. A guerra é boa. Roucos tambores retumbantes
do regimento, pequenas almas com sede de luta. Estes homens nasceram para
treinar e morrer. Inexplicável glória paira sobre eles. Grande é a batalha de
Deus, grande é seu reino, onde jazem cadáveres aos milhares. Não chore,
criança, pela guerra. Ela é boa. Porque seu pai tombou nas pálidas
trincheiras, roto em seu peito, golpeado e morto, não chore. A guerra é boa. Ágil
bandeira flamejante do regimento, águia com penacho vermelho e dourado. Estes
homens nasceram para treinar e morrer. Mostre-lhes a virtude do massacre, faça-lhes
planejar a excelência do matar, e o campo onde jazem cadáveres aos milhares. Mãe
cujo coração se pendura humilde como um botão sobre o brilho esplêndido da
mortalha do filho, não chore. A guerra é boa.
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LUCIANA GOYAZ 
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Em muitos
países, quando se trata de anistiar crimes políticos, surge a discussão para
saber se a medida deve ser concedida também aos condenados por atos de
terrorismo. As opiniões se dividem: há os que desejam uma anistia ampla e irrestrita
e os que excluem totalmente os terroristas.
Os primeiros
alegam: que muitas vezes o terrorismo foi a única forma de luta ou de
protesto contra o procedimento altamente violento e arbitrário do governo;
que foi o governo quem iniciou a violência; que foi o governo quem torturou
prisioneiros políticos que nem sempre usaram de terrorismo; que não houve
imparcialidade nos julgamentos; que não se permitiu aos condenados uma ampla
prova de defesa; que os tribunais não passaram de máquinas de condenação a
serviço do governo; que só uma anistia ampla é que permite eliminar os ódios,
os ressentimentos e promover uma conciliação nacional.
Os segundos
dizem: anistiar os terroristas é escarnecer de suas vítimas; que nada
justifica o homicídio de pessoas inocentes atingidas pelos atos terroristas;
que é render homenagem aos autores de crimes comuns, pois que os atos
terroristas não passam de crimes comuns sob o disfarce de um motivo político;
que é estabelecer um privilégio a favor da violência; que é um mau exemplo
para o futuro e um estímulo ao criminoso comum; que é favorecer a repetição
dos mesmos atos.
O terrorismo
tem sido também uma forma de luta pela libertação nacional em muitas partes
do mundo, principalmente nos países coloniais, e é claro que, quando
vitorioso, institui tribunais para julgar os que se lhe opunham,
transformando-se os seus agentes em verdadeiros heróis da independência
nacional. Politicamente não se justifica o terrorismo nem mesmo contra um
torturador, porque quem tortura é o sistema e não este ou aquele funcionário
da morte, que, embora pessoalmente responsável por executar ordens que sabe
ilegais, nem por isso deixa de ser um pau mandado pelos superiores ou conta
com a omissão destes.
Os grandes
líderes revolucionários não fazem vinganças pessoais contra quem os torturou,
colocando os interesses da causa que defendem acima dos sofrimentos pessoais,
coisa que a massa não entende, considerando esta atitude de uma frieza
sobre-humana, o que se deve à falta de maior esclarecimento político. É claro
que do ponto de vista humano dificilmente poder-se-ia condenar um indivíduo
comum que se vinga de um torturador, mas este é um caso muito raro, pois os
criminosos políticos em geral sabem da inutilidade das vinganças pessoais,
deixando que o torturador seja julgado objetivamente pelo processo
revolucionário.
Não se podem
também confundir com atos terroristas os que foram cometidos em situação de
fuga, através dos quais o que se pretendia era escapar à prisão e não
propriamente comprometer a segurança do regime.
É uma árdua
tarefa decidir-se contra ou a favor da anistia ao terrorista e somente os
altos interesses políticos de uma nação em situação concreta é que podem
aconselhar a medida e a sua forma de adoção, mormente considerando-se que, em
revisão do processo, muitos atos antes classificados como de natureza
terrorista, podem perder este caráter.
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Citação PABLO NERUDA - "O CARTEIRO E O POETA" (METÁFORAS) | O CARTEIRO E O POETA “Seu sorriso se espalha como uma borboleta no seu rosto". "O seu sorriso é como uma rosa, uma lança descoberta, o bater das águas, seu sorriso é uma onda prateada repentina". "Gosto quando fica em silêncio porque parece que está ausente.” A carta dizia o seguinte: “Amor, Amar é tão curto esquecer é tão longo. Nua você é simples como uma de suas mãos. Suave, terrena, pequena, transparente, redonda. Você tem linhas lunares caminhos de macieiras. Nua você é delicada como um grão de trigo. Nua você é azul como uma noite cubana. Você tem videiras e estrelas no cabelo Nua você é rasa e dourada como o verão numa igreja. Hoje deitei ao lado de uma jovem pura. Como se estivesse a orla de um grande oceano. Como se no centro de uma estrela em fogo no espaço. Gosto quando você fica parada é como se estivesse ausente. Você me ouve de longe. Minha voz não toca em você. Parece que seus olhos alçaram vôo. Parece que um beijo selou seus lábios”. |

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Separados pela língua, pela
política e pela história de seus colonizadores, tem em comum uma memória
coletiva. Eles aprenderam que do utensílio o branco sabe tudo. Mas o
utensílio apenas arranha a superfície das coisas, desconhece a duração,
ignora a vida. Já a negritude, ao invés, é uma compreensão por simpatia. O
segredo do negro é que as fontes de sua existência e as raízes de ser são
idênticas. O negro sabe que plantar é engravidar a terra. Depois cumpre ficar
imóvel, espiar, por que ele, homem, cresce ao mesmo tempo que seus cereais.
Se labor em África, é a repetição de ano em ano do coito sagrado. As técnicas
contaminaram o homem branco, mas é o negro o grande macho da terra, o esperma
do mundo.
Sobre o(a)
autor(a):Iniciou
na literatura clássica desde cedo. Fez seus estudos secundários em Paris, no
Lycée Henri IV. Despertou seu interesse pela Filosofia, influenciado pela
obra de Henry Bergson. Considerado por muitos o símbolo do intelectual
engajado.
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O mundo é um palco; os homens e as mulheres, meros artistas,
que entram nele e saem. Muitos papéis cada um tem no seu tempo; sete atos,
sete idades. Na primeira, o grito e a baba nos braços da mãe. Depois, o rosto
matinal de serpente que se arrasta para escola a contragosto. O amante vem
depois, fornalha acesa, celebrando as sobrancelhas da mulher desejada. Em
seguida, o soldado, cheio de juras feita sem propósito, a buscar a glória vã
na boca dos canhões. Segue-se o juiz, de olhar severo e estômago cheio,
impondo as sentenças e as certezas que seu papel exige. Na sexta idade o
mundo é amplo demais para as pernas mirradas e o falsete da voz infantil que
voltou. A última cena, remate desta trágica história, é o esquecimento, a
vista falha, os dentes, o gosto, tudo, nada.
Sobre o(a) autor(a):
Um dos maiores poetas de todos os tempos, nasceu em 1564, na
cidade de Stratford-upon-Avon, Londres.
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BOSSA NOVA AND JAZZ - NO PIANO.
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 | |  | Em princípio vale relembrar que, a história da Bossa Nova é a história de uma geração. Uma geração de jovens artistas brasileiros que acreditaram no futuro e conseguiram realizar o sonho de levar sua música aos quatro cantos do mundo. As primeiras manifestaçôes do que viria a ser conhecido como Bossa Nova ocorreram na década de 50, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ali, compositores, instrumentistas e cantores intelectualizados, amantes do jazz americano e da música erudita, tiveram participação efetiva no surgimento do gênero, que conseguiu unir a alegria do ritmo brasileiro às sofisticadas harmonias do jazz americano. Ao se falar de Bossa Nova não se pode deixar de citar Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, Candinho, João Gilberto, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Nara Leão, Ronaldo Bôscoli, Baden Powell, Luizinho Eça, os irmãos Castro Neves, Newton Mendonça, Chico Feitosa, Lula Freire, Durval Ferreira, Sylvia Teiles, Normando Santos, Luís Carlos Vinhas e muitos outros.Todos eles jovens músicos, compositores e intérpretes que, cansados do estilo operístico que dominava a música brasileira até então, buscavam algo realmente novo, que traduzisse seu estilo de vida e que combinasse mais com o seu apurado gosto musical. Impossível precisar quando a Bossa Nova realmente começou. Mas é certo que o lançamento, em 1958, dos discos Cançâo do Amor Demais, com Elizeth Cardoso interpretando composições de Tom e Vinicius, e Chega de Saudade - 78 rpm, com o clássico de Tom e Vinicius de um lado e Bim-bom, de João Gilberto, do outro -, nos quais João surpreendeu a todos com a nova batida de violão, foi o resultado de vários anos de experiências musicais. Experiências empreendidas não só por João mas por toda a turma que se encontrava nas famosas reuniões na casa de Nara Leão. Após o lançamento, em 1959, do primeiro LP de João Gilberto, também chamado Chega de Saudade, a Bossa Nova rapidamente se transformou em mania nacional e em poucos anos conquistou o mundo. Mas bem antes disso o Rio de Janeiro já vivia um raro momento de florescimento artístico, como poucas vezes se viu na história da cultura nacional. Não é à toa que os anos 50 são conhecidos como os "anos dourados". O Brasil vivia então um período de crescimento econômico que acabou se refletindo em todas as áreas. Em 1956, Juscelino Kubitschek tomou posse na Presidência da República com o slogan desenvolvimentista "50 anos em 5" No mesmo ano, foram lançados os romances 0 Encontro Marcado, do mineiro Fernando Sabino, e Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, dois importantes marcos na história da literatura brasileira. Paralelamente, surgia na poesia um movimento inspirado no concretismo pictórico, cuja maior característica foi a valorização gráfica da palavra e do qual participaram nomes como os irmãos Augusto e Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Ferreira Gulíar, entre outros. Em 1957, estreava o filme Rio Zona Norte, de Nelson Pereira dos Santos, um dos primeiros representantes do que viria a ser chamado Cinema Novo. Em 1958, a Seleção Brasileira de Futebol conquistava sua primeira Copa do Mundo, derrotando a seleção sueca por 5 a 2 e levando o povo brasileiro a cantar alegremente "A copa do mundo é nossa | Com brasileiro não há quem possa". Também em 1958, Jorge Amado lançava Gabriela Cravo e Canela e Gianfrancesco Guarnieri estreava no Teatro de Arena de São Paulo Eles Não Usam Blacktie, um marco na linguagem do teatro brasileiro. Em 1959, era lançado o movimento neoconcreto nas artes plásticas, do qual fizeram parte Lygia Clark, Hélio Oiticica e Lígia Pape, entre outros. Em 1960, Juscelino Kubitschek inaugurava a nova capital do país, Brasília, que possivelmente teve a primeira música de Bossa Nova em sua homenagem, composta por Chico Feitosa. Billy Branco havia feito um sambinha jocoso, Não Vou, Não Vou Pra Brasília, e Chico musicou uma letra que falava da vida na nova cidade. O tema, chamado Paranoá, nunca foi gravado, mas encontra-se preservado numa gravação particular feita na época, com o próprio Chico Fim de Noite cantando. Foi neste contexto que surgiu o movimento que viria a revolucionar não só a música brasileira mas toda a produção musical internacional. Ainda nos anos 40, a grande novidade musical foi o lançamento, em 1946, de Copacabana um samba-canção de João de Barro e Alberto Ribeiro, gravado pelo cantor Dick Farney com claras influências da música americana. A composição foi a precursora do que se chamou samba moderno, cujos grandes intérpretes foram o próprio Dick Farney e Lúcio Alves. A suposta rivalidade destes dois grandes cantores era alimentada pela imprensa e por seus fã-clubes. No início dos anos 50, eram eles, com suas vozes aveludadas, os maiores ídolos da juventude brasileira. Ao lado de Ary Barroso, Johnny Alf, Garoto, Dolores Duran, Luiz Bonfá e Tito Madi, entre outros, influenciaram decisivamente a formação da geração que se consagraria através da Bossa Nova. | | |
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Antonio Pinto de
Medeiros
E se nada acontecer?
Se os rostos deformados e os sentidos mendigos, os olhos famintos e as mãos
que interrogam, a carne que sangra e afoga os desejos;
se tudo isso se transformar em cinza e ausência e a dúvida acenar ainda?
E se o silêncio pesar sobre o grito de angústia, se a esfinge recolher seu
sorriso transfigurado, se todos os sonhos forem abortados... e se nada
acontecer? E se tudo isso não tiver a menor importância?
Sobre o(a) autor(a):
Poeta, jornalista nascido em Manaus. Foi membro da Academia
Norte-riograndense de letras. Militou na imprensa do Rio de Janeiro, onde
faleceu em 1970.
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Desejar o Desejo
Marcia Tiburi
Costumamos querer sem saber o que queremos, costumamos falar de desejo sem
saber o que ele significa. Fala-se tanto em desejo que ficamos confusos com
seu sentido. Arthur Schopenhauer, no século XIX, pensava que o desejo era o
motor do sofrimento. Desejar resultava em ser infeliz. O filósofo tinha certa
razão, pois o desejo não vem com o equilíbrio como brinde. E a pergunta, a
princípio ingênua, “o desejo é afinal bom ou ruim?” não nos abandona. Apesar
da relação entre desejo e excesso, à sensação de aventura impressionante que
uma possível “descoberta” do desejo nos convida, nos tornamos temerosos do
desejo. Todavia, permanecemos desejando. Se não estamos às voltas à procura
de nosso desejo por conta própria, sempre há quem esteja por perto dizendo
que temos que encontra-lo e que isto será uma revolução pessoal. Há quem fale
da diferença entre querer e desejar, uns afirmando que o querer é racional e
consciente e o desejo é irracional e inconsciente. É uma boa distinção. De
qualquer modo, mesmo confusos, sabemos que o desejo sempre nos põe diante de
um abismo que apenas com paciência e atenção somos capazes de atravessar em
nosso dia a dia. Este abismo é o outro. É visando-o que descobrimos o que ele
realmente é. Estamos orientados a sempre desejar alguma coisa em relação ao
outro, seja ele algo, uma pessoa, a sociedade ou o futuro. Quando desejamos o
desejo, a vida vai bem. Nos movemos atentos à beleza, à tragédia, ao sublime
da existência e tudo pode ser interessante e motivo de alegria. Baruch
Spinoza, no século XVII, falava do desejo como uma espécie de impulso para a
vida. A sua melhor qualidade era a produção da alegria como afeto saudável que
nos fazia encontrar o outro como dádiva, luz, maravilha.
Para além da felicidade que advém do mero desejar o desejo, desejamos algo
diferente dele. Às vezes desejamos as coisas e, como não conquistamos tudo o
que queremos, sofremos. Quando desejamos pessoas podemos sofrer mais ainda,
já que ao desejar outra pessoa que deseja como nós, nos deparamos com o
obstáculo do seu próprio desejo que pode ser avesso ao nosso e nos rejeitar.
Muitas vezes, mesmo desejando alguém e tendo a sorte de uma amizade ou um amor
correspondido pomos tudo a perder. Se não desejamos o que o outro é, acabamos
por nossa própria conta que ele deveria ser. Mas quem teria este direito de
desejar por nós?
Como alguém deveria ser Não se trata apenas de desejar algo que o outro
“deveria” nos dar e chorar porque não fomos contemplados, ou assumir com
dignidade a frustração, mas de desejar o modo como alguém “deveria ser”. É
como se o outro não fosse o que é, devendo sempre ser diferente para agradar
o gosto do seu crítico de plantão. Tornamo-nos críticos exímios socialmente
na arte de falar mal, de apontar defeitos, de querer, afinal, que o outro
seja como queremos que ele seja. Nunca o que ele é. E se nos casamos com este
outro, ou nos tornamos pais, ou precisamos conviver no trabalho? Em casa, no
trabalho, na escola, na empresa, esta postura carrega um gesto de desamor
que, em graus variados, pode chegar ao ódio e à intolerância que são o
extremo da falta de capacidade de dialogar ou de, simplesmente, deixar que o
outro seja o que ele é, a seu modo. Mas e como “eu” deveria ser? Será que
esta pergunta teria consistência? Muitas vezes exigimos das pessoas atitudes
e comportamentos que nós mesmos não temos, mas que supomos nossa
característica mais essencial. Perguntados, entretanto, nem sempre podemos
afirmar com precisão onde, como e quando tais características se manifestam
em nós. Qual será a função desta exigência? Se critico o outro por sua
preguiça é por que, ao contrário, eu sou trabalhador e esforçado? Se o
critico por ignorância, eu sou sábio? Se o critico em sua antipatia, sou eu o
simpático? Se o critico por falta de ética, eu sou ético? Falando do outro eu
sempre me convenço de que sou melhor do que ele ou, antes, por me considerar
perfeito já afirmo minha competência na crítica. Mas, sobretudo, acoberto a
chance de que eu esteja na berlinda, sendo o alvo.
Nossos
comportamentos geram valores. Não são apenas o fruto de valores
preexistentes, mas nós mesmos construímos as bases a partir das quais agimos
em nosso futuro e interferimos, sobretudo, no modo de ser de outras pessoas.
Este modo de ser leva à decisões e ações mais ou menos livres que moldam a
totalidade da vida.
A liberdade do outro é o começo da minha Nossa sociedade costuma demonstrar
seus valores cultuando-os. Este culto mostra duas coisas: que temos uma
imensa capacidade de amar símbolos, pessoas ou coisas, e que, justamente por
isso, também somos capazes de muita ilusão. Quando desejamos ilusões não
atingimos a profundidade do nosso desejo. Não devemos apenas pensar nas
falsas necessidades que fazem operar nosso desejo, as inventadas pela
sociedade em seu modo de produção atual. Devemos pensar nos valores que
impomos a quem não é como nós somos e que compõem nosso desejo. A atenção
crítica a si mesmo e ao outro precisa de óculos cuja lente seja a liberdade
de ser que é direito de cada um. A liberdade do outro é onde inicia a minha. A
nossa dor e a dor dos outros.
Marcia Tiburi
Vivemos na atualidade o culto ao sofrimento. Tanto o que resulta de motivos
concretos como o desamparo e a violência, quanto
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o que
advém da experiência da angústia em relação à própria vida, uma espécie de
convivência com o nada cada vez mais facilitada pela forma de vida em que
nenhuma esfera nos dá garantia de sentido. Aprendemos, em nossa cultura, a
viver com o sofrimento ao ponto de dar sentido a ele ou até mesmo gozar por
meio dele. É um modo de se sobreviver ao nonsense. Muitos são felizes porque
são infelizes. Eis um paradoxo nada difícil de compreender em nosso tempo. A
dor parece ser mais do que sintoma corpóreo, ela parece residir na alma, a
instância abstrata que agrega sentimentos sempre de certo modo inacessíveis à
nossa capacidade de compreender. No corpo ela aparece como incômodo e
mal-estar. No nível do sentimento ela é o nome próprio do horror de ser quem
se é, de não poder ser outra pessoa. Até parece ser a dor o que nos resgata
do absurdo da vida e nos responde sobre quem somos.
Experimentada como algo íntimo, cada indivíduo em nossa cultura negligencia o
que a dor possa significar para o outro. Imaginamos, pela força que a
caracteriza como experiência pessoal, que ela é apenas nossa e não do outro.
“Eu tenho a minha dor” diz a música enquanto o outro parece não ter nenhuma.
É porque sentimos dor que cremos em nossa unidade. A dor, já foi o nome do
“eu” no romantismo, corrente de pensamento e estilo de vida que desde o
século XIX e pelo século XX afora criou seitas e adeptos nas artes, na
literatura, mas também na vida. Novamente a dor retorna em amálgama com o eu
à cultura definindo o eixo da depressão que, se para muitos é patologia e
medicável, não podemos esquecer que é, acima de tudo, desajuste existencial.
A este desacordo entre o “eu” e o mundo, a esta “dor de viver” marcadamente
romântica, Schopenhauer, o filósofo que melhor entendeu o sofrimento como um
aspecto inalienável da vida, erigiu sua visão de mundo. Um resumo de suas
idéias define que “sofro porque desejo”, mas sofrer e desejar são dois
reflexos da condição própria da vida.
Dor de viver
Entre
nós a metáfora da dor de viver se faz corpo. Eu que sou um corpo que vive e
experimenta a vida, já não sou mais “um eu” que pensa ou sente, mas alguém
que sofre. Eis o que sobra do sujeito moderno e do pós-moderno, que se
estilhaçou, se perdeu de vista e, a cada dia com mais veemência emite o
conhecido juízo acerca de seu lugar no mundo: estou deprimido. Poderia
traduzir sua frase pelo “não desejo nada”. Neste caso, não estaria a dizer
que “desejo não desejar”, mas que cessou o desejo. O paradoxo que surge é que
não desejar nada parece ser a solução para o sofrimento que vem do desejo,
quem não desejasse estaria a salvo. Mas não desejar nada é que se mostra como
sendo, na verdade, o sofrimento maior. Quem deprime sabe disso. Mas de onde
tirar forças para reconstruir o desejo?
A vontade
sem sentido que nos liga à vida e nos faz dar sentido à vida? Muitas vezes a
dor de viver apenas mascara a culpa que pomos no outro ao qual queremos
responsabilizar por nosso próprio fracasso diante do mistério da vida. Por
isso, a depressão é, muitas vezes, a máscara de um rosto chamado covardia. O
Espetáculo da dor Há um verdadeiro contentamento com a dor em nossa cultura.
Tal gosto pelo sofrimento é, todavia, escandalização da dor e,
paradoxalmente, sua banalização. De tanto ser vivida se tornou banal. A dor é
um elemento de uma democracia perversa, parece ser só o que realmente nos
esmeramos por compartilhar. As imagens da morte de indivíduos ou grupos, das
catástrofes históricas ou da violência em escala cotidiana alegram os olhos
de quem aprendeu a viver no mundo do espetáculo, o grande território que na
sociedade atual, mede a vida, os corpos, os desejos, com imagens prévias do
que devemos ser. O que chamamos espetáculo é ele mesmo um olho que nos vê e
forja o nosso próprio modo de olhar. Que futuro há para uma cultura que vive
o voyerismo da catástrofe, que goza com o sofrimento alheio pensando estar a
salvo dele? Há solidariedade que possa nos salvar diante do apelo à morte do
outro, ao ódio escancarado, a que nos convidam todos os dias as formas de
vida – descaso e violência - que vivemos?
A compaixão
O que
há de comum entre a nossa dor e a dor dos outros? O que poderia romper o
ciclo perverso de gozo e satisfação com o espetáculo da dor pessoal – na
depressão - e alheia – na catástrofe assistida? Schopenhauer falou no século
XIX sobre a compaixão para basear a ética. Seus críticos logo acordaram
dizendo que a justiça e não a compaixão seria um melhor fundamento da ética.
A justiça entendida como medida, como regramento, como o que sustenta a lei é
realmente algo que pode manter a sociedade em ordem, mas a idéia da compaixão
guarda um aspecto que não deve ser esquecido. A compaixão é a capacidade de
perceber o sofrimento alheio e saber que ele não é bom. O termo, do latim,
compassio, significa mais do que sofrimento comum: é o sentir a dor do outro
como se fosse a sua. Uma sociedade que aprendesse que todos estamos
mergulhados no
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sofrimento teria chance de verificar que previamente já há um
elo que nos une e que nossa tarefa é ultrapassar sua força de destruição. Saber e sofrer-Marcia Tiburi _ Dizer que o conhecimento faz
sofrer tornou-se habitual. O sofrimento foi ligado à filosofia e à literatura
a ponto de que não podemos imaginar um filósofo, ou alguém com cara de sábio
em meio a livros, pulando carnaval ou curtindo uma piscina. Isso é um mito.
Os filósofos e os escritores são ainda hoje constantemente vistos como
pessoas que sofrem por conhecerem a alma humana em sua profundidade
inacessível aos demais. Não quer dizer que conheçam a alma, nem que haja nela
uma profundidade inacessível. Isto é apenas possível. É, sobretudo, uma
crença compartilhada e, como tal, organiza nossa visão de muitas coisas.
Nunca saberemos se os filósofos antigos eram todos sofredores, nem se
conheciam a alma humana. Sabemos apenas que deixaram seu testemunho, no qual
confiamos e com os quais devemos discutir hoje para entender o nosso tempo.
Muitos
dos pensadores contribuíram com esta imagem tratando o sofrimento como seu
objeto de estudos, como Schopenhauer no século XIX. Outros fizeram de seu
próprio sofrimento o objeto de suas filosofias, como Pascal no século XVII.
Todos tentaram entender a relação entre conhecimento e sofrimento. Dos
antigos, Aristóteles, por exemplo, usou um termo de Hipócrates, a melancolia,
para explicar a relação do saber com o sofrimento. Tanto para o filósofo,
quanto para o médico, a melancolia era um temperamento que explicava,
inclusive, a inclinação intelectual de uma pessoa. Além de elucidar o pêndulo
entre a loucura e genialidade que caracterizava alguns indivíduos. Os mais
interessantes, porém, são alguns dos padres filósofos da Idade Média que
falavam de um certo “demônio do meio dia” que assolava os monges como um
fantasma obsedante. Antes dos filósofos perderem a crença em entidades sobrenaturais
devido ao longo processo de secularização que levou ao modo de se viver no
ocidente sempre a crer em ciência e tecnologia, o dito demônio era
considerado a causa da dispersão na leitura, da insatisfação no convívio
dentro do mosteiro, do rancor, do torpor, da vontade de morrer, das fantasias
de catástrofe, da preguiça, da indolência, e também da culpa por viver no
mesmo lugar sem capacidade de agir e ajudar os outros, ao mesmo tempo que
responsável por uma crítica geral a tudo a todos que o cercavam em sua
experiência monacal. Era o misto de maldade com desespero, de amor com ódio,
de autocrítica com crítica dos outros que caracterizava o quadro melancólico
que tanto fazia com que o monge se sentisse um inútil, quanto fazia com que
ele se tornasse um escritor, um artista envolvido em ilustrar os livros, um
filósofo em busca das verdades próximas ou distantes. A doença é o que cura
na verdade, muitos acreditavam que a doença não era ruim. Hugo de São Vítor,
por exemplo, falava em uma tristitia utilis, uma tristeza útil. Ela era
necessária para a evolução espiritual. Esta idéia pode parecer estranha, mas
nos ensina algo para os nossos tempos sombrios. Os monges acreditavam que a
doença a que chamavam melancolia carregava em si o seu contrário, uma forma
de saúde. Ela era uma espécie de cura.
Neste
aspecto não somos diferentes dos monges medievais, só perdemos a capacidade
de olhar para o que chamamos sofrimento como se ele fosse apenas um modo de
ser e o preço pago quando da descoberta da vida. Mas se o valorizássemos
melhor (e não mais) talvez pudéssemos aprender que a condição humana sempre
foi a mesma, que não somos diferentes e, portanto, a nossa dor não é
diferente. Desde sempre, se nos pensamos como espécie, sofremos. Quem tenta
saber mais ou melhor sofre de um novo jeito. Em vez de afundar no lodo da dor
emocional, podemos descobrir o potencial de transformação do conhecimento.
Que o sofrimento não é o resultado do conhecimento, mas seu ponto de
partida... saber pode ser mais a cura e a libertação da dor do que a dor.
Conhecer
para quê?
Que pensar nos faz sofrer pode até ser verdade. Tanto quanto pode ser verdade
que pensar pode ser um prazer imenso. Quem se ocupa em conhecer a si mesmo e
ao mundo sabe que fará a experiência de prazer e desprazer nesta viagem. Os
gregos tinham a idéia do phármakon, remédio e veneno ao mesmo tempo, para
explicar a dialética da vida. Ela se aplica ao conhecimento. Podemos sofrer
com ele e, do mesmo modo, alegrarmo-nos. A melancolia antiga é ancestral
direta da nossa depressão. O excesso de depressão nos dias de hoje não deixa
de ter relação com a sociedade do conhecimento e da informação em que
vivemos. Queremos resolver tudo pelo conhecimento, mas esquecemos de pensar
que o conhecimento é uma saída que deve servir a algo mais do que o mero
progresso da ciência. O conhecimento como potencial de saída da infelicidade,
mesmo que tenha nascido dela. Se alguém busca conhecer a si é porque deve
pretender com isso ser feliz. Ser feliz é mais ético e mais bonito do que
apenas buscar a si mesmo como uma verdade absoluta. Sobre esta verdade de si
ninguém tem garantia. A verdade não deve ser uma ilusão da resposta, mas a
busca.
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Do romance do
escritor inglês Daniel Defoe, A vida e as estranhas e surpreendentes
aventuras de Robinson Crusoé, publicado em 1719/1720. Significa, conforme os
autores, a construção de utopias, sociedades perfeitas, romancear os fatos
econômicos, acreditar na eficiência de movimentos filantrópicos para resolver
problemas sociais, a crença na existência do "homo oeconomicus",
aceitar que o indivíduo sozinho pode romper todos os entraves sociais que
impedem o seu progresso social ou fundar uma sociedade. O romance foi
considerado como um símbolo da ascensão da burguesia. Tem um sentido
pejorativo, pois refere-se sempre a um exagero da força dos elementos morais
no mecanismo da economia.
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O tributo é uma
forma de sujeição do indivíduo à soberania de um estado. Daí a razão pela
qual gregos e romanos consideravam o estado de liberdade incompatível com a
obrigação de contribuir obrigatoriamente para as despesas ordinárias do
Estado, encargo que jogavam sobre os povos vencidos ou conquistados. Nenhum
destes dois povos tinha noção de direitos subjetivos que se opunham ao
estado, reagindo pela fraude fiscal quando começaram a surgir os primeiros
tributos regulares. O Cristianismo não discutiu a obrigação tributária,
mandando dar a César o que é de César. Os pais da Igreja seguiram a mesma
orientação, reprovando a fraude fiscal. Mas se o imposto é injusto? ou se o
príncipe usa de violência para lançá-lo? Não deve ser pago pelo cidadão, diz
São Tomás de Aquino, porque só a lei justa obriga em consciência. Outros
casuístas medievais elaboraram a partir do século XIII a doutrina das leis
meramente penais: as leis fiscais só obrigam em razão da pena e não moralmente.
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O problema da
moralidade do imposto continuou sendo discutido nos séculos XVI e XVII pelos
teólogos, principalmente Molina, Suarez, Lessius, Lugo, concluindo quase
todos eles, através das mais diferentes argumentações por considerar a dívida
fiscal como uma dívida de justiça, desde que não haja arbitrariedade do
príncipe. Lutero, Calvino, Grotius, Pufendorf, Hobbes, Kant. Rousseau.
Bossuet, Bodin, defenderam o direito da autoridade civil na matéria. Locke e
Montesquieu exigiam que o imposto fosse consentido pelos contribuintes. Para
o liberalismo da segunda metade do século passado, o tributo um prêmio de
seguro ou o preço dos serviços prestados pelo estado. Socialismos e fascismos
exigem do individuo a manutenção da sociedade. Para os regimes burgueses é
uma forma de redistribuição de riquezas e um meio de realizar reformas
sócio-politicas ou justiça social. B. - Camille Scailteur, Le contribuable et l'état. Édition
Universelle. Bruxelas, 1961.
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Independência
crítica do indivíduo frente a idéias, homens, instituições, valores, crenças,
Estado. Vida privada ou econômica sem interferência do Estado (laissez
faire). Direito ao inconformismo e à livre discussão ou adesão. Egoísmo ou falta
de solidariedade. Explicação dos fenômenos histórico-sociais através da
psicologia individual. A sociedade a serviço do indivíduo, considerado fonte
de todos os valores humanos. A felicidade individual considerada como meta
suprema da vida humana, e da organização social. Livre desenvolvimento da
personalidade de cada um. Concepção de que a vida social se compõe de
indivíduos isolados (atomismo). Respeito ao modo de ser do inconformista, do
louco, do revolucionário, do criminoso, do gênio, do artista (caso em que se
confunde com individualidade). Há vários tipos de individualismo: ético,
jurídico, religioso, filosófico, político, etc. Direito de ter a sua
discordância respeitada.
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Hirsi Ali chegou à
Holanda no início dos anos 90, depois de sofrer os mimos da sua cultura natal
(excisão* genital, violência religiosa, casamento
forçado). Estudou política. Entrou no partido trabalhista holandês. Quando
as coisas aqueceram (9/11, Pim Fortuyn), Hirsi Ali começou a avisar os
holandeses sobre dois factos:
(1) o Islão está
submerso numa cultura que nega os valores da tolerância; (2) o
multiculturalismo holandês, ao recusar integrar as comunidades islâmicas,
estava a criar quintas colunas que negam os direitos das mulheres e dos
homossexuais. (Obs: Hirsi Ali não é lésbica, apenas questiona esses mesmos
direitos). Os colegas de Hirsi Ali criticaram estas
posições porque eram «direitistas». Se defender os direitos das
mulheres muçulmanas era sinónimo de direita, pois muito bem, Hirsi Ali,
deixou os trabalhistas e juntou-se aos liberais (como deputada). Porque
não é aceitável, diz-nos, elevar «culturas beatas e misóginas para um plano
de opções de vida aceitáveis e respeitáveis» (p. 348). Este espírito
iluminista de Hirsi Ali chocou com os dogmas da esquerda que defende culturas
e não indivíduos: o Partido do Trabalho estava «paralisado pela necessidade
de se mostrar sensível às culturas imigrantes e de as respeitar» (p. 296),
mesmo quando isso significava rasgar com os direitos individuais. Nos
entretantos, o Estado holandês financia a intolerância religiosa (constrói
escolas corânicas) e, depois, chama-lhe “multiculturalismo”.
Hirsi Ali vivia
rodeada de holandeses que, contra todas as provas empíricas, diziam que o
Islão era uma religião de compaixão e paz. Afinal, «aprenderam a não avaliar
a religião e a cultura das minorias de maneira demasiado crítica, com medo de
serem chamados racistas» (p. 349). Este é o ponto-chave: o espaço
moral dos europeus é dominado pelo medo que as pessoas têm da palavra
racista. A esquerda marxista, no passado, fazia chantagem com a palavra
fascista. Hoje, uma esquerda mui reaccionária faz essa mesma chantagem com o
termo racista. E, com este esquema infantil, lá vai controlando o espaço
público. A autora é recorrentemente acusada do seguinte:
Hirsi Ali, dizem os críticos, interiorizou um sentimento de
inferioridade racial, sendo essa a causa das fortes críticas que lança sobre
a sua própria cultura, pois o que ela queria mesmo era ser branca.
Perante este paternalismo 'meets Freud', Hirsi Ali pergunta:
- Então a liberdade é apenas para os brancos? - Somos obrigados a
respeitar a nossa tradição quando essa tradição implica mutilar crianças?
- Os ocidentais podem desafiar a tradição cristã, mas os muçulmanos já não
podem desafiar a tradição islâmica? - Será que a esquerda pensa
que os muçulmanos não têm capacidade para pensar criticamente acima da sua
religião? Segundo Paulo Tunhas, o politicamente
correto esconde, bem fundo, o velho racismo europeu. É o “racismo altruísta”.
Os prêmios que valeram a 'Hirsi Ali' foram: *No dia 20 de
novembro de 2004 Ayaan Hirsi Ali foi galardoada com o Prêmio Liberdade do
Partido Liberal da Dinamarca "pelo seu trabalho a favor da liberdade de
expressão e dos direitos das mulheres". Devido a ameaças de
fundamentalistas islâmicos não foi possível a Ayaan estar presente na cerimônia
de entrega do prêmio. No entanto, um ano depois, a 17 de Novembro de
2005, ela viajou até à Dinamarca para agradecer pessoalmente a
Anders Fogh, primeiro-ministro da Dinamarca e líder do Partido Liberal. No
dia 29 de Agosto de 2005 Ayaan foi galardoada com o Prêmio Democracia do
Partido Liberal da Suécia "pelo seu corajoso trabalho a favor da
democracia, direitos humanos e direitos das mulheres." (*Amputação)
Ayaan Hirsi Ali (o nome original é Ayaan
Hirsi Magan), nasceu em 1969, em Mogadíscio, no seio de uma família muçulmana
importante da Somália, pertencente ao clã Osman Mahamud, um sub-clã dos
Darod. O seu livro Uma Mulher Rebelde (tradução portuguesa de Ingidel,
Editorial Presença, 2007), é um obra autobiográfica e tremendamente humana.
Relata uma experiência de vida simultaneamente dramática (pelas
circunstâncias que teve de enfrentar) e fascinante (pela sua enorme coragem
em superar a adversidade e refutar o papel de submissão que lhe estava
destinado, como a tanta outras mulheres muçulmanas). A sua vida de infância e
juventude, apesar de ter episódios felizes, foi passada em grande parte no
exílio, entre a Arábia Saudita, a Etiópia e o Quénia, devido à oposição do
seu pai - um membro proeminente da Frente Somali de Salvação Democrática -,
ao regime ditatorial de inspiração soviética de Siad Barré. Ainda enquanto
criança na Somália foi sujeita, por iniciativa da avó, à chamada circuncisão
feminina, com a retirada do clítoris e dos pequenos lábios (uma prática
destinada a garantir a virgindade da mulher até ao casamento). A maior parte
da sua juventude decorreu no Quénia, onde frequentou a escola e tirou um
curso técnico de secretariado. Aí sentiu a progressiva influência do
islamismo radical dos Irmãos Muçulmanos, financiados pelo dinheiro do
petróleo dos países árabes ricos do golfo, e os seus efeitos de radicalização
do Islão, no Quénia e na Somália. Ela própria tornou-se muito mais rigorista
no vestuário e nos hábitos religiosos diários e até tentou, ainda que sem
sucesso, exercer proselitismo sobre as suas colegas na escola. Todavia, foi
também no Quénia que teve, pela primeira vez, a oportunidade de contactar com
culturas não muçulmanas e com a influência ocidental. Acabou, assim, por
adquirir uma crescente consciência sobre a desigualdade e injustiça com que
uma sociedade tradicional, baseada em valores islâmicos e pré-islâmicos,
patriarcais e rigoristas, tratava as mulheres. Lentamente, Ayaan Hirsi,
começou também a formar um pensamento crítico sobre a visão do mundo arcaica
e hipócrita em que assentava essa ordem social. . O facto de o seu pai,
à maneira tradicional somali e muçulmana, lhe ter escolhido um marido dentro
do clã - um homem que nunca tinha visto e residia no Canadá -, acabou,
segundo refere, por ser o impulso decisivo que a levou a ganhar coragem para
alterar drasticamente o rumo da sua vida. Em finais de 1992,
após ter viajado para a Alemanha, e enquanto aguardava os documentos para se
juntar ao seu «marido»no Canadá, Ayaan Hirsi decidiu fugir para a Holanda. Isto
foi feito não só com a intenção de não se casar, como de quebrar os laços com
o seu passado que lhe coarctavam a sua liberdade como pessoa e ser humano. Os
seus primeiros tempos decorreram no centro de acolhimento de Zeewolde, onde,
na multidão de refugiados, se encontravam também outros somalis. Decorrido
algum tempo acabou por ser localizada pelo seu «marido» e família, e foi
submetida ao veredicto de um «Tribunal dos Anciãos», ironicamente nas
instalações do próprio campo de refugiados de Zeewolde.
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Este tribunal
improvisado, pretendia resolver a questão com base nos princípios
tradicionais da Xária (Sharia) islâmica, pressionando-a a ir ter com o
seu «marido» e a preservar a honra da família, que dependia do cumprimento da
promessa de oferta da filha em casamento. Ao recusar-se a acatar o veredicto
do «Tribunal dos Anciãos», Ayaan Hirsi sabia que corria o risco de ser
rejeitada pela sua própria família, que não iria aceitar esta decisão, o que
de facto veio a acontecer, como mostra uma troca emotiva de cartas com o seu
pai, reproduzida no livro (entre as páginas 160-161). Nos anos subsequentes,
teve vários empregos, desde empregada numa fábrica a tradutora de refugiados
e emigrantes, acabando por conseguir frequentar o curso de Ciência Política
na prestigiada Universidade de Leida. Entretanto, outra tragédia pessoal se
abateu sobre a sua vida. A sua irmã Haweya, que também tinha fugido para a
Holanda e vivia consigo, nunca se adaptou à sociedade holandesa. Já com uma
história pessoal anterior complexa, acabou por ser afectada por uma doença
psiquiátrica grave que a levou a regressar a casa da mãe, em Nairobi, no
Quénia, sucumbindo à doença em inícios de 1998. O principal
momento de viragem de Ayaan Hirsi para um activismo político ocorreu quando,
em 2001, o Instituto Wiardi Beckman ligado ao Partido Trabalhista, a
contratou como investigadora (entretanto, já tinha obtido a nacionalidade
holandesa e concluído o seu curso em Leida). Uma semana depois de ter
iniciado o trabalho nessa instituição - a sua actividade consistia na participação
em grupos de trabalho e em efectuar pesquisas sobre os problemas de
integração das mulheres estrangeiras na sociedade holandesa -, ocorreram os
atentados terroristas de 11/S. A conjugação destas duas circunstâncias teve
um enorme impacto na vida de Ayaan Hirsi e acabou também por projectá-la como
figura pública. A questão do terrorismo islâmico e das suas motivações passou
a absorver grande parte do seu pensamento e energias. Poucos meses depois do
11/S, num debate efectuado sob o título O Islão e o Ocidente, quem precisa
de um Voltaire? (e quando o público se inclinava sobretudo para concordar
com aqueles que criticavam este ou aquele aspecto do mundo ocidental), fez
uma intervenção contracorrente afirmando: «Pensem na quantidade de Voltaires
que o Ocidente já tem. Não nos negueis o direito de termos, também nós, um
Voltaire. Olhem para as nossas mulheres e olhem para os nossos países. Vejam
como somos tantos a fugir e a procurar refúgio aqui. E vejam essas pessoas
que, na sua loucura, fazem despenhar aviões contra as vossas cidades.
Permitam-nos que desejemos a chegada de um Voltaire, porque vivemos
verdadeiramente na idade das trevas» (p. 276). Após relatar esta sua primeira
intervenção pública, Ayaan Hirsi comenta também no seu livro a ideologia multiculturalista da sociedade holandesa, e a sua visão
idílica sobre a integração (que, ironicamente, funcionava até contra a
própria vontade de integração de muitos muçulmanos): «Na altura,
especialmente nos círculos do Partido Trabalhista, toda a gente tinha uma
opinião muito positiva do Islão. Se os muçulmanos exigiam mesquitas,
cemitérios separados, matadouros rituais, construíam-lhos. Forneciam-lhes
locais para os seus centros culturais, onde o fundamentalismo se poderia
desenvolver à vontade [...] Pareciam esquecer-se de quanto tempo tinha sido
necessário à Europa para se libertar do obscurantismo e da intolerância, e
até que ponto a luta tinha sido encarniçada» (p. 277). Pela sua própria
experiência de vida, sabia bem como o idealismo ingénuo das elites
holandesas, sobre as virtudes do multiculturalismo, abria a porta a interpretações
retrógradas do Islão e à difusão da ideologia dos islamistas: «O
governo holandês precisava de parar urgentemente com a fundação das escolas
corânicas, pensava eu. As escolas muçulmanas rejeitam os valores dos direitos
humanos universais. Numa escola muçulmana as pessoas não são todas iguais, e
as liberdades de expressão e de consciência são banidas. Estas escolas não
deixam desenvolver a criatividade - a arte, o teatro, a música não são
ensinados - e impedem as faculdades críticas que poderiam levar as crianças a
questionar as suas crenças» (p. 281). Com este tipo de posições críticas do Islão rigorista e da ideologia islamista,
Ayaan Hirsi granjeou rapidamente inimigos. Não só passou a receber ameaças,
presumivelmente de islamistas radicais-jihadistas (o que a levou a estar
permanentemente sob segurança), como, dentro do seu no seu próprio partido,
foi olhada com desconfiança por colocar em causa a ideologia
multiculturalista oficial. Isto levou-a a mudar para o Partido Liberal tendo
sido eleita deputada ao parlamento holandês nas eleições de 2003. Em 2004,
participou num filme de Theo van Gogh (sobrinho-neto do pintor
Van Gogh), intitulado Submissão, que pretendia chamar à
atenção do público holandês para a frequente situação de opressão em que
viviam as mulheres na cultura islâmica. Nessa altura, a Holanda já estava
abalada pelo assassinato de Pim Fortuyn às mãos de um militante de
extrema esquerda pró-direitos dos animais, que ocorrera dois anos antes.
Desta vez, a tragédia abateu-se sobre Theo van Gogh que, em finais de 2004,
foi barbaramente assassinado nas ruas de Amesterdão por um muçulmano de
nacionalidade holandesa e origem marroquina. (Ironicamente, na altura em que
foi assassinado, trabalhava num filme sobre o assassínio de Pim Fortuyn).
Este assassinato aumentou as atribulações de Ayaan Hirsi, com esta a ser
directamente ameaçada de morte na carta deixada pelo assassino sobre o corpo
de Theo van Gogh. Já em 2006, o programa de televisão Zembla com o
título Santa Ayaan, divulgou, sensacionalistamente, que esta mentira
para obter o asilo e nacionalidade - algo que, segundo Ayaan Hirsi, já era do
conhecimento público há vários anos. A Ministra da Integração, Rita Verdonk,
apanhada no meio de uma forte política entre o governo e a oposição, decidiu retirar-lhe
a nacionalidade por imperativos legais (pouco tempo depois, o
governo de Peter Balkenende acabou por voltar atrás na decisão). Esta
situação delicada levou-a a demitir-se do parlamento e a viajar até aos EUA,
a convite do American Enterprise Institute de
Washington, um think tank conservador. Segundo refere no livro, a
decisão de aceitar esse convite foi todavia anterior ao problema da
nacionalidade (p. 346). Entretanto, terá regressado novamente à Holanda, sob
protecção e anonimato, numa situação que faz lembrar a de Salman Rushdie.
Depois de se ler este livro, percebe-se quanto se deve à extraordinário acção
de Ayaan Hirsi e à sua luta corajosa pelos direitos das mulheres e pela
preservação da tradição de liberdade, da Holanda e do Ocidente.
OBS: O texto
corresponde, com algumas modificações, à recensão publicada na revista Crítica.
JPTF 2008/04/15
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"UMA CENA NA PEDRA" EM HAMLET ........................................
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Ser ou não ser eis a questão.
Será mais nobre na mente...
Suportar as pedras e flechas do
destino ultrajante...
Ou pegar em armas, contra um
mar de desditas, ...
E resistindo-lhes,...
Dar-lhes fim?
Morrer.
Dormir, não mais...
E dizer que com um sono,
curamos o mal do coração.
E os mil acidentes naturais, de
que a carne é herdeira...
É a solução a ser
fervorosamente desejada.
Morrer... dormir... dormir!
Talvez sonhar!
Sim, essa é a questão.
Nesse sono de morte, que sonhos
virão...
Ao nos livrarmos dessa mortal
espiral.
Devemos fazer uma pausa.
É o que torna uma calamidade,
vida assim tão longa...
Pois quem suportaria os açoites
e escárnios do tempo,...
A injustiça do opressor,...
As afrontas do orgulhoso,...
As aflições do amor
desprezado,...
Os atrasos da lei a insolência
oficial...
E o que o mérito recebe dos
indignos,...
Quando por si poderia conseguir
sossego...
Com a ponta de um punhal?
Quem gemeria e suaria...
Sob o fardo de uma vida
cansada...
A não ser pelo temor de algo
após a morte...
A desconhecida região da qual
viajante algum retorna,...
Temor que confundi a verdade...
E nos faz preferir nossos
males...
A fugir para outros que não
conhecemos.
Assim a consciência faz
covardes de todos nós,...
Assim a nossa resolução...
Definha ante o pálido matiz do
pensamento,...
E empreendimento de longo
alcance...
Conseqüentemente mudam de
rumo,...
Mudam de rumo... e até deixam
de realizar-se.
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" Os três maiores casos da
história judiciária por ofensa aos bons costumes através de obra
literária". Foram os de:
Gustave Flaubert, Charles Baudelaire e D. H. Lawrence,
Os
dois primeiros na França, em 1857, e o último na Inglaterra em 1960, já depois
de falecido o autor, motivo pelo qual o processo foi dirigido contra os
editores de seu famoso livro "A Amante de Lady Chatterley".
Em
todos eles discutiu-se o difícil e praticamente insolúvel problema das
relações entre a arte e a moral. É assunto inesgotável, havendo argumentos
válidos de ambos os lados, desde que se considere a época, as pessoas, a
forma de apresentação do assunto, os objetivos do escritor ou artista, o
gênero de público a que se dirige, os sentimentos que infunde, as conseqüências
da divulgação, a moralidade média, os valores que a sociedade quer preservar,
etc.
O
problema todo consiste em saber onde termina a pornografia e onde começa a
arte, e até hoje ninguém deu um critério seguro para isso e há também que
distinguir entre erotismo e pornografia. Pode haver descrição de cenas
sensuais sem pornografia. O que é certo, todavia, é que quanto menos se
processar autores é melhor, porque a repercussão do fato trabalha mais para a
divulgação do que qualquer outro meio.
É muito
difícil estabelecer limitações aos direitos da arte, mormente quando ela é
quase sempre prenunciadora do que está por vir. A sensibilidade do artista
capta os valores do futuro muito melhor que a ciência ou a filosofia. O
Estado só deve intervir em último caso, quando o permitir produziria
conseqüências piores do que o proibir. É uma regra elementar, infelizmente
esquecida com freqüência.
Para o
julgamento destes casos é preciso um juiz de grande sensibilidade e cultura
geral, pois do contrário o resultado é sempre um fracasso, haja ou não
condenação. Daí porque em muitos países quem decide é um corpo de jurados, o
que nos parece excelente, porque ninguém melhor que elementos das diversas
camadas do povo para saber como ele recebe ou analisa as obras.
O júri
é um grande meio de evitar que acusadores pudibundos e desejosos de fazer
carreira, venham alardear em tribunais princípios de moral que não observam
em suas vidas.
Flaubert
foi processado pela publicação do romance "Madame Bovary" e Baudelaire
pela publicação do livro de poesias "Flores do Mal". Em ambos os
casos a acusação usou do velho processo de destacar trechos isolados do
conjunto da obra, dando um sentido diferente a textos singularmente
considerados. É a técnica elementar de se apegar ao texto fora do contexto. Em
ambos a acusação pretendeu fazer obra de crítica literária ou dar lições de
moral ao autor. Flaubert foi absolvido, mas a sentença não se limitou a
absolvê-lo, entrando em longas considerações morais.
Baudelaire
foi condenado a uma multa de trezentos francos, posteriormente reduzida para
cinqüenta. Só em 31 de maio de 1949 é que o julgamento foi reformado pela
Corte de Cassação.
Contrariamente
aos anteriores, o caso de Lawrence foi julgado por um júri que ouviu dezenas
de depoimentos de artistas, cientistas, literatos e clérigos. A obra foi
publicada em inglês na cidade de Florença, em 1928, e desde logo interditada
na Inglaterra. A editora Penguin publicou-a em 1960 e sofreu o conseqüente
processo, no qual o verdadeiro réu era Lawrence. Criou-se uma verdadeira sala
de leitura dentro do tribunal para que os jurados lessem o livro da primeira
à última linha, antes de ouvir testemunhas e debates, medida corretíssima. A
editora foi absolvida. B. - Maximilian Jacta, Accusé levez-vous
(processos célebres da França e da Inglaterra). Coleção Marabout, nºs. 272 e
273. Gérard Verviers ed. Verviers (Bélgica), 1967.
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Bovary nas Telas
Adaptação Marcante
“Madame Bovary” teve mais de 20 adaptações para as telas, incluindo filmes, telefilmes e minisséries. A mais premiada delas foi dirigida pelo mestre Claude Chabrol (em cartaz no Brasil com “A Comédia do Poder”, de 2006). A anti-heroína criada por Gustave Flaubert foi eternizada pela atriz Isabelle Huppert. Pelo papel, a atriz foi indicada ao Oscar e venceu o Cesar da categoria. O filme também recebeu indicações para o Oscar de Melhor Figurino (assinados pela premiada Corinne Jorry) e para o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro
Após uma longa e conturbada trajetória, o escritor francês Gustave Flaubert publicou, em abril de 1857, a versão definitiva de seu célebre e polêmico romance “Madame Bovary”. O livro, que completa 150 anos, ganha uma edição comemorativa da editora Nova Alexandria, que acaba de chegar às prateleiras. O romance já havia sido publicado em seis capítulos na “Revue de Paris”, de 1º de outubro a 15 de dezembro de 1856. Foi essa publicação que levou o autor às barras do Tribunal Correcional de Paris, em 29 de janeiro de 1857, sob a acusação de atentar contra os bons costumes e a religião, por narrar a história de adultério da protagonista, Emma.
Embora Flaubert tenha se sentado no banco “dos bandidos e dos pederastas” (como ele disse), o peso de sua obra na literatura universal é imenso. “O romance abre o leque de todas as experiências modernas, e eu diria até pós-modernas, na literatura”, afirma Telma Martins Boudou, 65 anos, doutora em Literatura Francesa pela Universidade de Caen, na França.
Ela é autora do livro “Madame Bovary no Tribunal do Júri”, em que conta a história por trás do romance, envolvendo o processo que sofreu o autor. “Aí entra a ironia, pois o livro depois vai se tornar obra-prima. Hoje não se pode falar em modernismo sem falar em Flaubert.”
Se a temática do adultério foi justamente causa de grande polêmica na época, Telma diz que, futuramente, ela abriria espaço para uma série de criações. Ela cita, por exemplo, a Luísa de “O Primo Basílio”, de Eça de Queiroz. “Ele foi um leitor de Flaubert e, dessa leitura, reescreveu a sua história de adultério.” Além disso, vários críticos enxergam em Emma Bovary a matriz de personagens como Ana Karenina, de Tolstói, ou a Nora de “Casa de Bonecas”, do norueguês Henrik Ibsen.
“Nas entrelinhas, Flaubert mostra o adultério como uma tentativa de se perseguir sonhos que você não consegue realizar”, explica Telma. Segundo ela, a história do adultério representa a morte das ilusões. “Flaubert vê isso e diz ‘vou me segurar na última ilusão’, que é a arte. Das ilusões, é a que menos mente, ele diz.” Ressonâncias
Encontro semelhanças entre Bovary e as personagens de Clarice Lispector. “A semelhança se dá, principalmente, pela questão do desejo. Em ‘A Paixão Segundo G.H.’, por exemplo, a protagonista remonta a história do Ocidente e fala sobre o problema do desejo da mulher”.
É possível afirmar que Emma Bovary é um dos primeiros personagens em que aparece a figura da mulher e o desejo de maneira indissociável. “Naquela época, a mulher não podia ter desejos. Mas ela deseja o tempo todo ser rica, uma espécie de socialite para aqueles padrões. Ela deseja, a todo momento, ser uma personagem dos romances que lê.”
O fato de as pessoas terem acreditado, na época, que o texto literário fosse um relato real, tamanha a riqueza de detalhes com que Flaubert descreveu as cenas e os personagens. “Aí temos a célebre frase de Flaubert: ‘Madame Bovary sou eu!’ Ou seja, a literatura é imaginação. Por mais que se assemelhe ao real, nunca o será.
Bovaru(L'Histoire)
Madame Bovary é um romance escrito por Gustave Flaubert que resultou num escândalo ao ser publicado em 1857. Quando o livro foi lançado, houve na França um grande interesse pelo romance, pois levou seu autor a julgamento.
Ele foi levado aos tribunais acusado de ofensa à moral e à religião, num processo contra o autor e também contra Laurent Pichat, diretor da revista Revue de Paris, em que a história foi publicada pela primeira vez, em episódios e com alguns pequenos cortes. A Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena absolveu Flaubert, mas o mesmo procedimento não foi adotado pelos críticos puritanos da época, que não perdoaram o autor pelo tratamento cru que ele tinha dado, no romance, ao tema do adultério, pela crítica ao clero e à burguesia (Gostava do mar apenas pelas suas tempestades e da verdura só quando a encontrava espalhada entre ruínas. Tinha necessidade de tirar de tudo uma espécie de benefício pessoal e rejeitava como inútil o que quer que não contribuísse para a satisfação imediata de um desejo do seu coração - tendo um temperamento mais sentimental do que artístico e interessando-se mais por emoções do que por paisagens).
É considerada por alguns autores como a primeira obra da literatura realista.
“Emma Bovary c'est moi" (Emma Bovary sou eu), disse Gustave Flaubert (1821-1880), o criador deste que é por muitos considerado o ápice da narrativa longa do século XIX - o chamado século de ouro do romance. Flaubert, o esteta, aquele que buscava o mot juste (a palavra exata) e burilava os seus textos por anos a fio, imbuiu-se da consciência e da sensibilidade da sua personagem. Atingiu, com a irretocável prosa de Madame Bovary, um dos mais altos graus de penetração e análise psicológica da literatura universal.
Madame Bovary é uma obra capital na literatura do seu tempo, um daqueles livros que dão início a uma época literária. Tomando propositadamente um tema sem grandeza aparente, Flaubert quis obrigar o seu talento a enfrentar dificuldades técnicas que o levassem a vencer o romantismo exacerbado que o dominava. O resultado foi a obra-prima que o leitor tem em mãos e que Émile Zola descreveu da seguinte maneira: "Quando Madame Bovary apareceu, foi uma completa revolução literária. Teve-se a impressão de que a fórmula do romance moderno, esparsa pela obra colossal de Balzac, fora reduzida e claramente enunciada nas quatrocentas páginas de um único livro. Estava escrito o código da nova arte.
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(DANTON
– O PROCESSO DA REVOLUÇÃO)
Um dos
filmes indispensáveis sobre a Revolução Francesa. Com direção do mestre
Andrzej Wajda (Cinzas e Diamantes) essa obra-prima em como destaque o astro
Gérard Depardieu, em uma das grandes interpretações de sua carreira. Quatro
anos após a Revolução, a situação da França é um desastre. Cada cidadão é um
suspeito em potencial. As cabeças rolam com a guilhotina. O povo está com
fome e medo. Os mesmos revolucionários, que tinham proclamado a Declaração
dos Dreitos do Homem, implantam o Reino do Terror. Danton e Robespierre.
Enquanto o primeiro tem o apoio do povo, o segundo tem o poder. O embate
entre os dois líderes dá início a um complexo processo.
(TRADUÇÃO DO PRIMEIRO
VÍDEO)
A
Revolução...
É como
saturno, que devora um após outro seus próprios filhos.
Por que
seríamos obrigados... não sei por qual desígno, a condenar ao invés de
perdoar... a matar, ao invés de salvar?
De onde
vem essa cadeia de sangue e onde ela cessará...
se ela
cessar um dia?
Pensei
poder frear...
A
tormenta da Revolução. Pensei que seria bom e penso ainda.
Mas
vejo em seus olhos frios, onde leio minha morte...
A morte
inevitável, decidida antes de vocês entrarem...
E me
digo: terei me enganado? Onde errei?
Outras
pessoas pensam de outro modo.
Sua
sede de ideal não conhece nenhum limite.
Eles já
não vêem homens à sua volta...
Só vêem
especuladores, facínoras e traidores!
Em nome
dos princípios da Revolução... eles esquecem
a
própria Revolução!
Estabeleceram
uma nova ditadura, ainda mais feroz que a velha.
Por
temer a volta dos tiranos, tornaram tiranos.
Você
dizia, Fouquier, que o povo quer sangue.
MENTIROSO. MENTIRA. MENTIRA.
(TRADUÇÃO
DA CENA SEGUINTE (Em Dear Robespierre para ver a última cena)
A Tradução da cena seguinte do processo da Revolução quando traz o garoto,
irmão de sua governanta, logo após a injustiça cometida contra Danton e seus
companheiros do 14 de julho, na guilhotina, vem trazer a grande surpresa aos
ouvidos de Maximilien.
“...
Maximilien? Meu irmãozinho aprendeu uma coisa para você:
“Artigo
1º - Os homens nascem e permanecem livres e iguais... Por direito. As distinções sociais... só podem advir da utilidade
comum.
Artigo 2º
- a meta de toda associação política é a conservação dos direitos... naturais
e imprescritíveis do homem.
Artigo
3º - O princípio de toda soberania reside essencialmente na Nação. Nenhum
órgão ou indivíduo terá autoridade que disso não emane.
Artigo
4º - A liberdade consiste em fazer o que não prejudique a outrem. Assim o
exercício dos direitos só se limita... ao que asseguram aos outros membros da
sociedade... o pleno gozo desses direitos. Esses limites só podem ser
definidos pela Lei.
Artigo
5º - A lei só tem direito de proibir as ações nocivas da sociedade. Tudo que
não for proibido em lei não pode ser impedido... e ninguém pode ser
constrangido a fazer o que ela não ordena.
Artigo
6º - A lei é a expressão da vontade geral. Todo cidadão tem direito a
concorrer... pessoalmente ou por seu representante, à sua formação...”
"Observação nescessária quanto aos casos de líderes
revolucionários, é que, dentre eles: Danton, Babeuf, Trotzki
e Fidel Castro, entre as grandes defesas políticas que se conhece,
ficaram célebres as desses quatro líderes revolucionários e grandes oradores.
Com exceção de Danton, que defendeu-se de acusações de caráter pessoal, os
outros deram uma verdadeira aula sobre o que é uma revolução, mas todos
demonstraram uma coragem e uma dignidade admiráveis, e uma tática defensiva
que desmoralizou os tribunais que os julgaram. Na posteridade, o líder
vencido que teve a oportunidade de fazer do banco dos réus uma tribuna
política, sempre leva a melhor.
É por
isso que os regimes autoritários não permitem mais hoje, em geral, que o réu
político faça a sua própria defesa ou tome a palavra no julgamento. Danton
foi julgado em 1794 e Babeuf em 1796 ambos na França, Trotzki em 1906 na
Rússia e Fidel Castro em 1953 em Cuba. Em qualquer biografia desses lideres o
leitor encontrará detalhes sobre os processos a que responderam por
conspiração ou revolução".
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A antiguidade clássica ou oriental não conheceu a
liberdade no sentido de reconhecimento de direitos individuais. Liberdade
então era apenas o direito de participar da direção dos negócios públicos. A
liberdade moderna se teria originado, segundo as várias teses, da seguinte
forma: a) por influencia do individualismo germânico, já defendida por
Tácito, e continuada por Montesquieu, Taine, Ortega y Gasset e Laboulaye; b)
do cristianismo, em sua oposição ao Estado romano, defendida por Ferrero; c)
das lutas religiosas em defesa da liberdade de crença; d) devido à separação
entre a autoridade secular e a autoridade religiosa, sustentada por Benjamin
Constant, Stuart Mill, Tocqueville, Royer-Collard, Mosca, Croce e Ferrero; e)
do protestantismo (em suas diversas correntes ou modalidades: luteranismo,
calvinismo, Zwinglio); f) do feudalismo em sua oposição ao centralismo real;
g) das lutas municipais em defesa dos governos locais; h) das colônias
inglesas da América, constituída por fundadores que emigraram da Inglaterra
justamente para preservar a liberdade de convicção; i) pelo advento da
burguesia; j) pelo advento do capitalismo, etc. Em relação a seitas
religiosas, quase todas se arvoraram em defensores da liberdade enquanto
minoria, passando a perseguidoras quando maioria. E é preciso distinguir os
efeitos sociológicos do conteúdo teológico de cada uma delas, das condições
sociais em que atuaram, como nota Ropke. As principais obras que tratam desta
matéria, são as seguintes: "Da liberdade dos antigos comparada com a dos
modernos", famosa conferência de Benjamin Constant; "O Estado e
seus limites", de Laboulaye; "Origens da França
contemporânea", de Taine; "Democracia na América', de Tocqueville;
"Poder. Os gênios invisíveis da cidade", de Ferrero;
"Poder", de Bertrand de Jouvenel; "Liberdade", de Hayek;
"Ciência política", de Mosca; "Protestantismo e
capitalismo", de Max Weber; "A religião no advento do
capitalismo", de Tawney. B. - Wilhelm Ropke, Civitas humana. Rev. de
Occidente. Madri, s.d.
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Após horas de espera, o Rio de Janeiro foi confirmado como a sede das Olímpiadas. As poderosas Chicago e Tóquio foram eliminadas na primeira e segunda rodada de votações do Comitê Olimpíco, que deixou apenas o Rio de Janeiro e a cidade de Madri como finalistas. Na praia de Copacabana, centenas de pessoas comemoram a vitória do Brasil. Em Copenhague, Pelé, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro dos esportes, Orlando Silva, choraram após o anúncio do resultado. Lula agredeceu os ministros e outras personalidades, como o escritor Paulo Coelho, que participaram da campanha. O presidente Lula deixou claro em seu discurso, feito na manhã de hoje, que o país terá uma grande representatividade, pois será o primeiro da América do Sul a sediar o evento. Além disso, o presidente afirma que esta será a oportunidade de mostrar ao mundo a diversidade cultural e potencial esportivo que o Brasil e todos os países da América do Sul possuem. |








































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